filho, peço desculpas.
abracei uma criança hoje pela primeira vez desde que você se foi.
um menino, de 2 anos e alguns meses. não o conhecia, apenas de vista, mas havia percebido que ele era tímido, e, na verdade, eu ando evitando olhar pra qualquer criança.
foi sem querer, filho. pegamos o elevador juntos e ele me olhou e esticou a mão que segurava um cubo mágico. tentei evitar mas não quis ser mal educado. peguei e fingi que sabia montar, mas logo devolvi. ele me olhou e riu. puxou papo comigo.
me desculpa se obedeci e o abracei com tanta vontade, não era minha intenção, mas acho que eu precisava daquele abraço. o jeito dele brincar e conversar, o sorriso e a voz me lembraram os seus. parecia, por um milésimo de segundos, que você compunha um pedacinho daquele outro menino.
não me leve a mal; eu te sinto com frequencia e sei que, de algum jeito, você me vê e me escuta, mas é que a sua ausência física me dói demais, ainda.
escrevi isso só pra agradecer. se bobear, você decidiu dar um pulinho na terra e transformou meu vizinho tímido em um menino brincalhão, só pra me puxar papo e dar um abraço.
e, filho, se foi de fato isso que aconteceu... espero que você faça a mesma questão que eu em repetir o ocorrido e ele possa me mostrar todos os brinquedos que vai ganhar de dia das crianças e se despedir com um abraço para cada boneco.
do teu pai que sente falta de dormir contigo segurando minha orelha,
um beijo.
quarta-feira, 10 de outubro de 2012
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