sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Perdido, como cartas sem endereço.

Ontem eu sonhei que esbarrava na sua rotina. Que a cortina brincava de iluminar seu quarto com o vento, que eu estava do seu lado. E foi quando o céu ameaçou a chover, você me levou pela mão até o meio da rua, e nossos cabelos molharam. Eu usei a sua toalha.

Como eu poderia chegar e dizer o quanto você é amável? Assim, de uma hora pra outra? Se apenas tropecei na frente da sua porta, e você somente a abriu porque já estava de saída. O que mais eu poderia encontrar? Não sobrou nada muito melhor do que um quarto bagunçado e um coração de papel todo picotado. Minha intenção não era brincar de quebra-cabeça. Alguém chegou antes, não é? Alguém sempre chega antes.

Posso ouvir o barulho das chaves, o motor do carro, num frio úmido de manhã com sereno. Mas não foi para me ver que você arrumou as suas malas. E então o ciúme me pega como uma coceira chata... Ninguém ensina como se desvia o olhar.