sexta-feira, 28 de setembro de 2012
sem título pt 2646
Eu não sei descrever como as coisas estão desde que você bateu a porta e me disse pra nunca mais te dirigir a palavra. Foram dias, muitos dias e milhões de minutos dos quais não me recordo, passam como um filme com mil falhas, flashes, desconexos... Eu não sei dizer como estou. Tem dias que o aperto bate forte, vezes nas quais me pego distraído e lembro do seu rosto se movendo a poucos centímetros dos meus... Vezes que te odeio com todas as minhas(poucas) forças...
O apartamento é pequeno... Não é bonito e eu odeio os móveis. É gelado, mais gelado que um maldito iglu. Mas estou sozinho aqui e tenho aprendido a apreciar sua ausência...
O apartamento é pequeno... Não é bonito e eu odeio os móveis. É gelado, mais gelado que um maldito iglu. Mas estou sozinho aqui e tenho aprendido a apreciar sua ausência...
Perdido, como cartas sem endereço.
Ontem eu sonhei que esbarrava na sua rotina. Que a cortina brincava de iluminar seu quarto com o vento, que eu estava do seu lado. E foi quando o céu ameaçou a chover, você me levou pela mão até o meio da rua, e nossos cabelos molharam. Eu usei a sua toalha.
Como eu poderia chegar e dizer o quanto você é amável? Assim, de uma hora pra outra? Se apenas tropecei na frente da sua porta, e você somente a abriu porque já estava de saída. O que mais eu poderia encontrar? Não sobrou nada muito melhor do que um quarto bagunçado e um coração de papel todo picotado. Minha intenção não era brincar de quebra-cabeça. Alguém chegou antes, não é? Alguém sempre chega antes.
Posso ouvir o barulho das chaves, o motor do carro, num frio úmido de manhã com sereno. Mas não foi para me ver que você arrumou as suas malas. E então o ciúme me pega como uma coceira chata... Ninguém ensina como se desvia o olhar.
Como eu poderia chegar e dizer o quanto você é amável? Assim, de uma hora pra outra? Se apenas tropecei na frente da sua porta, e você somente a abriu porque já estava de saída. O que mais eu poderia encontrar? Não sobrou nada muito melhor do que um quarto bagunçado e um coração de papel todo picotado. Minha intenção não era brincar de quebra-cabeça. Alguém chegou antes, não é? Alguém sempre chega antes.
Posso ouvir o barulho das chaves, o motor do carro, num frio úmido de manhã com sereno. Mas não foi para me ver que você arrumou as suas malas. E então o ciúme me pega como uma coceira chata... Ninguém ensina como se desvia o olhar.
Os dias frios voltaram.
Eu fui deixando o amor pra lá. Eu tinha tanto medo de sentir qualquer coisa. Então fui cuidando daquilo que eu esperava de mim, das coisas que eu achava que deveria fazer... Sempre tive medo de morrer no meio de algo, sei lá, qualquer história que eu estivesse escrevendo, ou algum sonho que me acordava todos os dias. É que sempre tive medo mesmo. Sou tão medroso. E me escondi no meu quarto, naqueles livros enormes, nas aulas... E finalmente aprendi a ficar sozinho.
Olha, não me leva a mal não se meus planos são sofisticados demais para te embarcar. Eu penso em tudo, e nunca fui uma pessoa simples, não mesmo.
Olha, não me leva a mal não se meus planos são sofisticados demais para te embarcar. Eu penso em tudo, e nunca fui uma pessoa simples, não mesmo.
domingo, 9 de setembro de 2012
i realized that i need you and i wondered if i could come home.
e, de repente, você me ensina novamente como é que se vive a vida... me faz ter prazer em ver pessoas novas e antigas, em me movimentar, em comer direito, sair pra tomar um chopp ao lado de casa, só pra não ter que dirigir e poder voltar andando de mãos dadas com as suas... me ajuda a, devagar, reconstruir a vida... sem querer tapar os buracos e as cicatrizes, mas ajudando a perceber que dá pra ir além... sei lá, piegas, repetitivo, sem sentido. não me importo. de algum jeito, tudo encaixa, tudo funciona, você me funciona tão bem...
http://www.youtube.com/watch?v=xUBYzpCNQ1I
http://www.youtube.com/watch?v=xUBYzpCNQ1I
Soneto de separação.
De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.
De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.
De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente
Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.
(Vinícius de Morais)
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