sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Bublè

O vento fazendo a franja bater com força no rosto, tampando, por milésimos de segundos, a visão do olho esquerdo, como faz um ventilador. Aquela música baixa, com sotaque inglês, letra batida, forçada, usada, mas que encaixa tão bem no momento.
Parece que não, mas já anoiteceu. A impressão é de poucos minutos, mas passaram-se duas horas, suficientes para gelar o champagne sentado na porta do congelador, colocado em -24ºC e no congelamento rápido. Congelador ultrapassado, velho, sujo. Sujo como o interior da geladeira, que parece se alastrar pela pia, descendo pelo armário branco até o chão, espalhando sujeira por todo o piso, por toda a casa. Algo metaforicamente que começa com a imagem dos relógios de Dalí em "A Persistência da Memória"(diga-se de passagem, maldita memória), e se alastra pra imagem da água azul(ou transparente) de "Premonição" na cena do banheiro. Aumenta o volume da música pra 9%.
Brincar com o esqueiro até se irritar com o tal vento, que não só bagunça o cabelo, mas impede que se acenda o cigarro. Que se foda o cigarro, que se foda o champagne. E que levem junto essa falsidade escrota, esse fingimento de que está(ou que vai ficar) tudo bem.