Parece que não, mas já anoiteceu. A impressão é de poucos minutos, mas passaram-se duas horas, suficientes para gelar o champagne sentado na porta do congelador, colocado em -24ºC e no congelamento rápido. Congelador ultrapassado, velho, sujo. Sujo como o interior da geladeira, que parece se alastrar pela pia, descendo pelo armário branco até o chão, espalhando sujeira por todo o piso, por toda a casa. Algo metaforicamente que começa com a imagem dos relógios de Dalí em "A Persistência da Memória"(diga-se de passagem, maldita memória), e se alastra pra imagem da água azul(ou transparente) de "Premonição" na cena do banheiro. Aumenta o volume da música pra 9%.
Brincar com o esqueiro até se irritar com o tal vento, que não só bagunça o cabelo, mas impede que se acenda o cigarro. Que se foda o cigarro, que se foda o champagne. E que levem junto essa falsidade escrota, esse fingimento de que está(ou que vai ficar) tudo bem.