quarta-feira, 29 de outubro de 2008

sabe quando você simplesmente enjoa?
eu enjoei. de muitas coisas, até. enjoei do gosto da minha comida preferida, da blusa e da calça que considero as mais confortáveis, das músicas, das músicas, do carro novo, dos amigos, de assistir aula, do meu cigarro preferido, do meu suco diário na praia, de dar aula, de ficar deitado olhando pro teto...
tenho tantos planos pra minha vida, e não sei nem por onde começar... o que me impede completamente de... começar!
eu tô feliz, até demais, porém algo me segura, me dizendo pra levar tudo devagar, pra relaxar um pouco. problemas todo mundo enfrenta, os meus, graças a deus, sempre são resolvidos no mesmo dia, mas sei lá. queria me sentir mais igual aos outros: queria sofrer um pouco. queria sentir fome, pra dar valor ao prato que me é servido todos os dias. queria ser completamente viciado em cigarro, porém não ter nenhum. queria morar num barraco, pra dar valor ao meu apartamento enorme que me parece tão vazio.
acho que preciso mesmo é dar valor ao que tenho... mas ultimamente, não tá dando.
quem sabe ano que vem.

domingo, 19 de outubro de 2008

Preto e Branco

Era óbvio demais esperar demais que você me atendesse no final daquela tarde então liguei só para ouvir cair na caixa postal. Eu e ela já somos amigos íntimos.Afinal, quem sente saudades por aqui, sou eu mesmo, sempre. Juro que não te entendo, muito menos me entendo do porque de eu continuar te procurando.O que mais me chamou a atenção em você é a mesma coisa que hoje que nos impede de estar de mãos dadas. A diferença. Do meu sentir, do seu desligar.

Te ver é algo como me olhar no espelho e ver o reflexo invertido. Ao mesmo tempo que é me completar. Você é o sujeito (simples, feminino) da minha oração. E pensando bem, também é a minha oração de noite. O Vice e o versa, o sol a e chuva, a montanha e a praia, preto e o branco, e vice-versa. Engraçado que sem um, não existe o outro. É a arte imitando a vida.

Então, pego meu copo de alcóol (e você, de leite) e brindamos essa eterna distância, que nos une, que nos atrai, que nos separa. Afinal eu procuro o novo, e você é a última tecnologia. Sem manual, é claro.

A Matemática e a Biologia. Assim sou eu e você. Parecidos na ocupação, distantes na prática.

O fio e o fim da vida.

Mais um dia. Amém.

15 pras 7. 7 e 15. Sono atrasado. Sono. Atrasado. Leite quente, chão frio. Garagem do prédio, ponto de partida. Partiu, freiou, bocejo, a rádio de música e a de notícias. A poesia desapercebida. A mesa e os documentos. Pausa dramática: lembranças. Email. Mais um e outro. Comida chinesa. Escolha, rua, telefone, 15 pras 2. 2 e 15. Sono. Problema 1, 2 e 3, paciência, 0. 6 e pouco. 6 e muito. Carro. Atrasado. Trânsito parado. Blusa quente, noite gelada. Ponto de chegada, curso, PDV. Partiu, freiou, o grito, as crianças e meu filho, "Ah puta que pariu!". Que se dane a poesia! A casa e as fotos. Pausa pseudo-dramática: lembranças, telefone. Mensagem e outra. Hambúrger e a indigestão. Escolha, cama e coberta. Preocupação 1, 2 e 3. Paciência? 15 pra meia noite. Meia noite num dia inteiro.

Menos um dia. Amém.

terça-feira, 7 de outubro de 2008



balaio, domingo eu não saio... de bambu e corda, só se for pra rezar. luz no cabelo e nos olhos, no sorriso do justo, feito pra iluminar. cruz, na parede e no púlpito, nas nossas costas de súbito, pesadas pra se carregar. porta, abre e fecha o caminho, o balaio eu carrego sozinho e ilumino essa luz com meu jeito de andar.
tem horas que a gente se pergunta por que é que não se junta tudo numa coisa só...






o mar do leblon tá fodido. to puto.

De novo você

As nossas bocas juntaram e a cena ficou girando na minha cabeça, igual naqueles típicos filmes de romance, onde a câmera rodeia o beijo principal. O vento sempre levanta algumas folhas de outono, e os créditos começam a subir com alguma música lenta.
O quão real é isso? Não consigo lembrar nem de quanto tempo passou, porque parece que sempre foi assim. Quando falo sobre isso me sinto tão idiota. Não sei se algum exagero veste a verdade de mentira, mas é isso, caí nas suas mãos. E vou continuar tropeçando até você.
A culpa é sua, sempre achei que você poderia ter resistido um pouco mais. Mas eu não. Jamais poderia ter continuado sem tentar. Eu nunca passaria a reparar no que os pássaros cantam. Não sei ao certo quem você é, a gente não consegue enxergar muito bem de tanta distância, só acredito no que você me faz sentir o tempo todo.

Previsível




É horrível ter que re-aprender a se divertir sem beber. No mínimo decadente. A gente cresce e de repente se vê precisando das coisas. Não que seja por acidente, a gente sempre sabe. Eu, pelo menos, sempre soube. Mas aí vem um dia, como um outro qualquer, e te conta, como se revelasse o maior segredo do mundo: olha, você precisa disso, você precisa daquilo, você sente a falta. E eu preciso de uma porção de porções de coisas.
Antes eu costumava gostar até do fim das festas. Mas já ficou enjoativo. O salão de festa com o chão sujo, as cadeiras de plástico todas empilhadas em algum canto, e algumas rodinhas de pessoas conversando sobre assuntos desconexos. Uma risada sempre se sobressai no meio disso tudo, uma risada bem sem graça.
Já faz tanto tempo que nada mais do que eu vejo é novo. Caiu de velho como uma fruta podre. O natal é igual, o ano novo mais da mesmíssima coisa. Tanto que passei a ver os anos todos colados uns nos outros, se parecem cada vez mais com o anterior, e ficam se empurrando assim, como uma repetição mal feita. Nem o tempo eu distingüo mais. Tudo uma coisa só. Que seja.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Remorso...

Vamos começar pela lua. Como pode ser tão grande e caber nos seus olhos? É um tipo de reflexo que eu queria em mim. E depois, é ela quem fica de lanterna para os nossos passos quando é noite. Nunca nem escondi que prefiro as noites, que prefiro esquecer a hora de voltar, que te prefiro quando o céu está escuro. Em pensar que as estrelas sempre vão precisar do céu apagado para brilhar, alheia a isto, mesmo quando já se fez manhã e estamos indo para nossas casas, a lua permanece mais algumas horas pendurada acima de nossas cabeças.
Prender as mãos, mantê-las cruzando nossos pulsos. Tenho certeza que elas odeiam os postes e as esquinas complicadas que tentam separá-las. Mal consigo me importar se as palmas estão suadas, ou tremendamente geladas, enquanto simplesmente estivermos de mãos dadas. E carinho, carinho se mostra com mãos, com um leve toque, seja nos cabelos, no braço, na perna, nos pés, ou desenhando a forma do rosto. As suas mãos falam. Aquela mão tímida que quebra a distância de uma mesa para dois, atravessando pratos, copos e saleiros em busca de companhia. Aquela mão que me cutuca discretamente enquanto qualquer um fala, só para que eu saiba que pensamos na mesma coisa. Aquela sua mão que me arranha as costas, que me puxa com força para levar a minha boca até a sua.
O seu gosto não me enjoa, não me farta, não tem fim. Decorei cada pedacinho da sua boca, você sabe, preciso dela ainda assim. Nossos lábios já tomaram um a forma do outro, do mesmo jeito que o travesseiro te acomoda a cabeça na hora de dormir. Eu gosto mais de dormir com nossos lábios colados, respirando o mesmo ar que te faz respirar. O mesmo ar que encontra meu ouvido e me faz arrepiar.
Não quero nenhuma porta fechada entre nós. Por isso te escrevi, só para me desculpar.

Grrr

Já parou para pensar nas chances que se perde por preguiça, negligência, ou simplesmente por piscar os olhos na hora errada? Digo isso porque resolvi insistir em provar que o amor não existe quando ele está bem aí, debaixo do meu nariz. Se eu pelo menos nunca tivesse sentido nada, ou quem sabe se eu fosse um robô e nem tivesse nascido... mas não. É como negar a chuva quando já se está encharcado no meio da rua por causa da água que caiu do céu.
Mas é tão injusto. Como posso querer entrar em um jogo sabendo que vou perder, e perder muito, perder você. Não quero.
Pior é que sei onde encontrar as melhores sensações. Droga, eu deveria me sentir tão sortudo, só em saber que às vezes preciso muito de alguém. Você me faz tão bem e disso não posso fugir. Nem se eu me isolasse por dias. Nem se eu desistisse de abrir a janela e ver o sol, porque sei que ainda assim te veria. Mesmo de olhos fechados e no escuro, te veria. Ainda ouviria sua voz no silêncio. Droga!

Desapropriar.

Apenas uma decoração. O braço dele sobre os seus ombros era apenas por decoração, porque os olhos dela me fitavam de cima abaixo, percebendo meu nervosismo e entendendo minha vontade em retribuição.

Ninguém tem a pretensão de fazer caridade. Na verdade, não convém querer o troco de uma relação má sucedida. Todos estão atrás das obras mais pleiteadas, da metade mais bonita de um casal. Não se trata de invejar a felicidade alheia, mas de provar para o próprio ego que se pode fazer alguém tão feliz quanto.
Jogar um copo contra a parede para assistí-lo espatifar, ou apostar parar assistir alguém perder, deixaria qualquer um livre de culpa, quando a culpa não machuca mais.