sábado, 16 de agosto de 2008

Nós.

O dia mais longo da minha vida começou com o nosso segundo primeiro beijo e ainda não terminou. Talvez por isso que eu goste tanto de ver seu pulso livre de relógios. Então ninguém vê que reeducamos o tempo a nosso favor, que nosso silêncio não constrange, e que as horas são apenas um quadro abstrato que observamos na parede da vida dos outros. Nossos passos são dados por fora do trilho, nossas mãos são dadas, gêmeas siamesas, grudadas. Nosso chão é grama, nosso céu é homogêneo visto da praça. Os seus, os meus amigos se confundem em nossos. Nossos planos, nossos sonhos, nossas viagens, nossas compras, nossos erros, nossas loucuras, nossas idas, vindas e vidas. Nossa esquina do lado da banca de jornal. Nosso canteiro atrás do supermercado. Nossa cidade do terraço do seu prédio. Nossa cafeteria. Nossa revistaria. Nosso banheiro. Nosso sexo. Nossa praia esperando por nós. Nossa filha esperando por nós. Nosso apartamento esperando por nós. Por fim, um casal, uvas e uma pequena fresta de luz.