Tenho andado mais ocupado do que nunca. Meus dias deveriam ter 500 horas, talvez assim conseguisse conciliar a mudança, o novo emprego, o curso, o estudo e as horas extras que gostaria de passar com você.
É estranho dormir em um novo quarto, mesmo já tendo dormido em inúmeros hotéis e casas de amigos, mas... quer saber? É uma nova etapa começando... mais uma de tantas que já se passaram! Nesse novo estágio tenho apreciado as caronas e pego gosto por andar de ônibus, minha única reclamação é não poder fumar dentro dele, mas, bem, já era hora de diminuir a necessidade. Tô ficando tão bom nisso!
Sabe, só queria dizer que você fica linda vestida de amarelo.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Escolhas.
Cada minuto que se estende até o outro me leva a crer que somos parte de uma sucessão de escolhas, escolhas que a gente nem sequer percebe. Escolhi meus amigos, e as ruas certas para levar meus pés. Hoje sei que meus passos me levaram todos até você. E agora sei que essa idéia que ainda bóia na superfície da minha lembrança, veio do refrão da última música que o meu winamp escolheu. Mesmo assim, juro que não escolhi gostar tanto de você.
Eu sinto essa fome corroendo meu estômago doente de ansiedade enquanto me concentro em algo que gostaria de te dizer. Me apoio dentro do primeiro engarrafamento que o rádio noticia e permaneço calado. Das infinitas músicas que já foram escritas e das centenas de melodias que se amontoaram na minha memória até agora, nenhuma se encaixaria entre nós tão bem quanto o silêncio que sonho em rechear de olhos fechados. Preciso de você mais perto, a fim de ouvir meu coração batendo com pressa, me ajudando a juntar ar para o fôlego de um longo beijo.
Eu sinto essa fome corroendo meu estômago doente de ansiedade enquanto me concentro em algo que gostaria de te dizer. Me apoio dentro do primeiro engarrafamento que o rádio noticia e permaneço calado. Das infinitas músicas que já foram escritas e das centenas de melodias que se amontoaram na minha memória até agora, nenhuma se encaixaria entre nós tão bem quanto o silêncio que sonho em rechear de olhos fechados. Preciso de você mais perto, a fim de ouvir meu coração batendo com pressa, me ajudando a juntar ar para o fôlego de um longo beijo.
Ganância.
Tudo parece estar tão perfeito que eu perdi até o direito de reclamar. Não seria justo, porém não consigo deixar os trilhos retos. Adoro uma tempestade sem que exista algo aonde eu possa me segurar. Às vezes chego a pensar que gosto mesmo é de me assistir desmoronado ao chão. Só que não, não estou assim. Estou feliz.
Não tive nem o trabalho de me preocupar com os enganos que eu poderia fazer. As decisões já foram todas tomadas, antes que eu me desse conta, das minhas mãos por algum poder do destino. Não tive escolha, apenas subi em uma esteira e esperei calmamente que ela me levasse ao êxtase de estar apaixonado, amar e ser amado em troca.
Mas com pesar confidencio que preferia errar, que gosto de correr e suar por isso, e que sinto-me inútil por perder a chance de escolher. Será que cheguei atrasado, ou simplesmente era assim que tinha que ser? Ainda quero, ainda espero por você.
Não tive nem o trabalho de me preocupar com os enganos que eu poderia fazer. As decisões já foram todas tomadas, antes que eu me desse conta, das minhas mãos por algum poder do destino. Não tive escolha, apenas subi em uma esteira e esperei calmamente que ela me levasse ao êxtase de estar apaixonado, amar e ser amado em troca.
Mas com pesar confidencio que preferia errar, que gosto de correr e suar por isso, e que sinto-me inútil por perder a chance de escolher. Será que cheguei atrasado, ou simplesmente era assim que tinha que ser? Ainda quero, ainda espero por você.
sábado, 16 de agosto de 2008
Nós.
O dia mais longo da minha vida começou com o nosso segundo primeiro beijo e ainda não terminou. Talvez por isso que eu goste tanto de ver seu pulso livre de relógios. Então ninguém vê que reeducamos o tempo a nosso favor, que nosso silêncio não constrange, e que as horas são apenas um quadro abstrato que observamos na parede da vida dos outros. Nossos passos são dados por fora do trilho, nossas mãos são dadas, gêmeas siamesas, grudadas. Nosso chão é grama, nosso céu é homogêneo visto da praça. Os seus, os meus amigos se confundem em nossos. Nossos planos, nossos sonhos, nossas viagens, nossas compras, nossos erros, nossas loucuras, nossas idas, vindas e vidas. Nossa esquina do lado da banca de jornal. Nosso canteiro atrás do supermercado. Nossa cidade do terraço do seu prédio. Nossa cafeteria. Nossa revistaria. Nosso banheiro. Nosso sexo. Nossa praia esperando por nós. Nossa filha esperando por nós. Nosso apartamento esperando por nós. Por fim, um casal, uvas e uma pequena fresta de luz.
Encanto.
Fico lembrando seu jeito inquieto e como gesticula alucinadamente ao falar. Como fala ao cumprimentar; como seu "alô, thi?" soa como as músicas mais gostosas que costumam tocar no rádio do seu carro, que você faz acelerar a ponto de meter medo até em mim, o dono de uma das multas por velocidade que você recebeu. O cheiro do seu cabelo liso e o jeito como passa seus dedos entre o meu, seus olhos e seus olhares, tão carinhosos e tão intimidantes. Quero deitar em cima de você, quero seus beijos novamente. Não entendo o que sinto você fecha a porta do carro e fico te olhando, mesmo sabendo que não me olha, só se vai. Você sempre vai, porém sempre volta. Acho que essa falta de certeza é minha única certeza de que você sempre irá voltar.
(dá pra voltar ainda hoje? =) )
(dá pra voltar ainda hoje? =) )
Tráfico de meses.
Deitamos no chão vestido pelo verde mais lindo que meus olhos podem ver, ainda é a nossa cama. E como as notas de piano que combinam com a perfeição, o seu carinho combina com a minha felicidade.
Pegue o que quiser de mim. Desse meu diário de loucuras, há uma história na nossa distância que se entitula saudade. Vou dizer algo sobre nós dois, somos analfabetos de avisos de cuidado, e mesmo assim, as coincidências insistem em andar ao nosso lado, tomando as nossas dores. Mas se errar não fosse tão saboroso, eu juro que não dividiria isso contigo. E já que a nossa tolice de evitar a realidade não faz de nós mentirosos, queimaremos a cidade mais movimentada com nossos sonhos de felicidade instantânea. Sempre haverá uma garrafa de vinho vermelho para dois apaixonados.
Pensar é melhor em dois, casando nosso futuro e já cuidando da nossa menina. É tudo uma questão do agora; o tempo é um só, sem intervalos e tudo acontece numa linha enorme. Vamos rasgar os dias, as horas... hoje eu tenho você comigo e todos os milhões de minutos de vida que nos restam logo a frente.
Pegue o que quiser de mim. Desse meu diário de loucuras, há uma história na nossa distância que se entitula saudade. Vou dizer algo sobre nós dois, somos analfabetos de avisos de cuidado, e mesmo assim, as coincidências insistem em andar ao nosso lado, tomando as nossas dores. Mas se errar não fosse tão saboroso, eu juro que não dividiria isso contigo. E já que a nossa tolice de evitar a realidade não faz de nós mentirosos, queimaremos a cidade mais movimentada com nossos sonhos de felicidade instantânea. Sempre haverá uma garrafa de vinho vermelho para dois apaixonados.
Pensar é melhor em dois, casando nosso futuro e já cuidando da nossa menina. É tudo uma questão do agora; o tempo é um só, sem intervalos e tudo acontece numa linha enorme. Vamos rasgar os dias, as horas... hoje eu tenho você comigo e todos os milhões de minutos de vida que nos restam logo a frente.
Sim.
O som repetitivo e o teor de insanidade aceleravam meu instinto. Seguia um amigo, seguia um estranho. Dedos com vontade própria avisavam a minha cabeça que queriam apertar aquela cintura feminina. Quando sua mão apoiou no encosto da cadeira, chamou a minha para que se ajeitasse sobre ela. E foi a falta dos olhares que negaram o descaso. Tudo sem o mínimo de porquê. A razão destrancou a porta, o gelo esfriou a boca e o juízo fugiu sem deixar rastro algum pelo chão. Nesses meus últimos meses, me seqüestraram o não. Nas noites de céu escuro e sem estrelas, correm para longe as oportunidades de pedir socorro; em noites assim, prevalece sempre o sim. Os faróis se distorcem com a velocidade, os seus beijos se dissolvem com a intensidade. Se está tudo tão compatível, nada se choca. Vou mudar, só porque cansei de mudar... de par.
São Paulo.

O seu cheiro ainda estava na minha roupa, e foi assim que me demorei a entrar no banho, perdido em você. Se bobear gosto até da sua antipatia com as palavras, da sua seriedade em forma de armadura, do sol que nos acordou e do ônibus que nos separou. Acho graça no seu jeito de respirar, e sorrio de olhos fechados, porque é inconfundível você. E aí, eu vou te ensinar tudo o que eu não aprendi contigo, e ganhar de você paciência, talvez até um pouco de responsabilidade - palavra que com você se fez coada do tédio. Pra que uma mulher, quando se enxerga uma menina? A mais perfeita e quieta delas. Adulta para o que aparenta ser, tão jovem para o que é. Parece que a vida lhe foi curta de tempestades, daquelas que te estragam um pouco. É desafio pra mim, travesseiro da ousadia. Mas não aposto em mais nada, nem prometo outra história. Que venha de certo, e o que vier, veio. Só que o seu cheiro... esse eu quero sempre comigo!
terça-feira, 12 de agosto de 2008
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
(LINSPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo: Siciliano, 1992)
"Quando Ana me deixu, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos de dourado e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, então pensei a campainha vai tocar. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.
(adaptado de: Caio Fernando Abreu, "Sem Ana, blues" In: Os dragões não conhecem o paraíso. São Paulo, Companhia das Letras, 1988)
domingo, 10 de agosto de 2008
Saudade de sentir saudade
Gosto daqueles dias de garoa chata que insiste em não sair do céu, daqueles dias cinzas de quase sem cor, dias de cobertor e filme antigo. Gosto daqueles dias final de férias que dá saudade de sentir saudade. Não me lembro o que me fez amar tanta gente, não consigo me lembrar de como era ter o coração partido ao meio.
A gente nunca deixa de ser besta, mesmo depois que cresce um pouco e acha que já viu de tudo. Como é que eu posso estar insatisfeito e sentir a falta da dor, da fossa de entender todas as músicas de amor? Justo agora que tudo aquilo já passou!
Será que sua frieza passou para mim, já que sinto estar começando a te esquecer?
A gente nunca deixa de ser besta, mesmo depois que cresce um pouco e acha que já viu de tudo. Como é que eu posso estar insatisfeito e sentir a falta da dor, da fossa de entender todas as músicas de amor? Justo agora que tudo aquilo já passou!
Será que sua frieza passou para mim, já que sinto estar começando a te esquecer?
Percebe?
Você tem sido pior do que pegar o ônibus errado pra lugar nenhum. Os nossos planos tem sempre essa cara de desastre, que eu adoro só por ser tudo o que temos. Acho que esse "lado b" que criamos das nossas vidas está ficando perigoso demais, os últimos meses passaram tão depressa e não mudaram nada. E a gente ainda fica se levando pelo acostamento de uma larga estrada de ilusões sem se preocupar com o que sobra quando resolvemos cair na real. Quando à isso, eu já lavei as minhas mãos. É óbvio que não sou eu quem quero me responsabilizar pelas decisões, muito menos você. Falta-nos a maior parte da coragem. Sabe, você pode me contar suas milhões de histórias sobre seus sentimentos e vontades que eu vou continuar duvidando de que não sou eu quem faz o papel de idiota aqui. Estamos apenas de passagem, mas confesso que adoro me deixar enganar por você, e sei que você gosta muito disso. Mentir é tão fácil, ouvir é mais ainda. E além do mais, não estou pronto para apanhar das nossas verdades por enquanto. Vamos deixar assim, vai.
domingo, 3 de agosto de 2008
Eu quero matar o ciúme, aquele que me coloca na frente do espelho para que eu veja minha cara de idiota enquanto enciumado desejo alguém que já tem seu par. Mato também aquele ciúme que julgo tão bobo e que quando sentido pelo outro, rouba meu espaço e furta o ar refugiado em meus pulmões, me sufocando de dentro para fora. Morte ao ciúme doído, que como as traças vai esburacando as relações com sua fome enorme de desconfiança. Esse ciúme que desgasta carinho, esconde amor e cansa os ouvidos, não combina comigo, não combina com você.
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