O barulho das chaves me avisam de você, e aquele susto bom vem me visitar com um sorriso. Seus passos, sua sombra perto da porta. Vem! Pula na minha cama! Amanhã é segunda-feira. Amanhã poderia nunca chegar. E quando chega, te carrega para longe de mim.
Depois, se por acaso garoar, vou vestir o cachecol que você esqueceu na minha casa, só para te ter de cheirinho enrolado no pescoço, esquentando as cordas vocais para aquele alô caloroso, a gente combina de durante a semana tomar frappé feito criança, esnobar as pessoas da rua e queimar dezenas de cigarros. Queria que seu cheiro nunca saísse de perto do meu nariz. Que morressem as noites que eu passaria no singular, que diluíssem todas manhãs que eu acordaria ao lado de travesseiros e que explodissem as tardes que eu ficaria de amigo da televisão.
Aí, você vem me buscar de carro roubado - ou comprado com a sorte de cartas na mão. Buzina e toca a campainha, faz tocar os sinos e as trompetas... você simplesmente me beija.
Para apagar o fim, a gente se promete não olhar mais para os relógios desse mundo - pior invenção - e assim, param-se os minutos. De portas fechadas, a gente dorme. Por favor, destruam os despertadores.
terça-feira, 1 de julho de 2008
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