sexta-feira, 4 de julho de 2008
De novo
Ela poderia pegar o melhor atalho de idéias, que ainda assim chegaria atrasada para me deixar um boa noite em cima do criado mudo e um beijo de sobremesa. Tudo bem, quando sou eu quem vivo reinventando o nosso tempo. Tem sempre um último ônibus para pegar, um jeito novo para te agarrar. Não faço o seu estilo, e você já percebeu que sua mão sufoca a minha. Mesmo assim, senti muito a sua falta hoje e da pontualidade física, do abraço perfumado de você, das piras com as pessoas que estão nas salas de luz acesa dos prédios ao nosso redor. Cheguei a me esquecer que sua altura e sua presença tão forte me cansam, cheguei a me esquecer que a perfeição não me encanta. Essa noite, com aquela luz amba do teatro, mais as minhas mãos dadas a roda cheia de ídolos, instantes antes do espetáculo começar, seu nome gigante veio e preencheu minha cabeça. Com as pálpebras escondendo meus olhos, visualizei seus cabelos, senti sua voz acarinhar minha nuca, me arrepiei. Sou escorregadio, ausente, distante, eu sei. Mas por enquanto estou querendo grudar em você, de novo.
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