quarta-feira, 2 de julho de 2008
Apenas
Ela não permitiu que o sentimento que conquistava seu peito descorresse junto com a conversa. Sorriu olhando para baixo, escondendo a vergonha. Ele fingiu ver as horas para tocar seu pulso, e ela manteve a mão firme, por mais que o terremoto por dentro a fizesse estremecer. Negou um beijo, dois, três. Ela estava sendo mais forte que um guerreiro em batalha. Mas a luta era interna. Três semanas antes, jurava amor eterno. Agora se convencia de que havia o superado. O ódio, irmão do amor, era contido, refugiado no canto de alguma parte de seu corpo. Uma hora chegaria sua vez. Ela só não sabia que querer ia sempre, a mesma, a mesmíssima pessoa por todos os santos dias do resto da sua vida. Fingir não fazia de uma mentira verdade. Não, ela não o esqueceu. Eles ainda pensam um no outro, apenas não se pertencem mais.
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