terça-feira, 13 de maio de 2008

O vento levou os pingos de resto de chuva para longe daqui, te contou pro acaso, e por culpa dele, se soltou todo o amor que eu amarrei no travesseiro. Enquanto seu vício te perdia com os novos amigos do centro da cidade, eu te esperei no toque do telefone. Precisei fazer de você a minha garantia. Então, adotei contigo aquele amigo que consertou tão superficialmente toda a dor que ficou distante. Tolice, se não existe dor no padrão dos nossos olhos. Porém, só esqueço quando você me fala dos seus sabores favoritos e das suas cores preferidas. Aí, peço para que venha o inverno só por fora. Julho não verá nossos adeus; porque dois dias de cento e vinte reais vão nos despertar para um sono de lençol, e uma sacada com cheiro de areia úmida. Ficaremos juntos até que em volta dos seus braços finos fique todo o resto do que não se vale a pena abraçar; nada tem seu perfume. Cansei de esperar por algo de errado, você me funciona tão diferente. E se a noite acaba, amanhã tem pôr-do-sol. Traga sua liberdade, e me prenda nos seus sonhos planejados sobre o asfalto. Dessa vez, grita bem alto; é que eu me apaixonei pela sua voz.