domingo, 25 de maio de 2008

cansei meus olhos com seu rosto

domingo, 18 de maio de 2008

pitseleh.

uma das melhores viagens!

realejo

será que a noite virá num vilarejo?
vejo a ponte que levará o que desejo
admiro o que há de lindo,
e o que há de ser: você.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Quando a televisão começa a falar sozinha, vem você me cutucar o ombro para iniciarmos uma revolução, mas só quer mudar o meu mundo, enquanto eu te vejo intacta dentro do porta-retrato, com a sua vida formada-perfeita sem espaço para mim. Assim de propósito mesmo, desacredito em tudo o que você já me prometeu. E aquela maquete que você montou da nossa vida? Esqueci lá fora e choveu em cima. Não sobrou nada. Também, não era pra menos. Você queria o quê? Era frágil demais, como o seu desejo por mim. De qualquer forma, nem serviria na prática, a gente sabe disso. Na teoria, na física de livros de colegial é tudo proporcional, tudo perfeito. Eu quero ver se você iria conseguir controlar os seus acessos de mal humor se meus olhos estivessem a dois centímetros de distância dos seus. Você me diria as mesmas coisas sem fios e músicas entre a gente? Eu queria ver se nada girasse em torno dessas fotografias. Acho que você se assustaria ao ver que meu rosto muda de expressão enquanto converso usando cordas vocais e gestos manuais. Você sentiria falta da trilha sonora, dos efeitos de luz e de programas de restauração de imagem. O medo maior nem é ver sua cara de susto, mas é pensar no disperdício que ficou transformar esse meu presente em vias e ruas para te cruzar no futuro. É de quem sabe deitar num travesseiro alugado e bater as mãos na testa com arrependimento doloroso. Mas pior ainda seria o remorso. Nessas poucas páginas de vocabulário que eu tenho anexadas aqui na minha cabeça, escrito em laranja gritante ficam piscando duas palavras idiotas e sem sentindo: "e se... ?".
Quando a televisão começa a falar sozinha, vem você me cutucar o ombro para iniciarmos uma revolução, mas só quer mudar o meu mundo, enquanto eu te vejo intacta dentro do porta-retrato, com a sua vida formada-perfeita sem espaço para mim. Assim de propósito mesmo, desacredito em tudo o que você já me prometeu. E aquela maquete que você montou da nossa vida? Esqueci lá fora e choveu em cima. Não sobrou nada. Também, não era pra menos. Você queria o quê? Era frágil demais, como o seu desejo por mim. De qualquer forma, nem serviria na prática, a gente sabe disso. Na teoria, na física de livros de colegial é tudo proporcional, tudo perfeito. Eu quero ver se você iria conseguir controlar os seus acessos de mal humor se meus olhos estivessem a dois centímetros de distância dos seus. Você me diria as mesmas coisas sem fios e músicas entre a gente? Eu queria ver se nada girasse em torno dessas fotografias. Acho que você se assustaria ao ver que meu rosto muda de expressão enquanto converso usando cordas vocais e gestos manuais. Você sentiria falta da trilha sonora, dos efeitos de luz e de programas de restauração de imagem. O medo maior nem é ver sua cara de susto, mas é pensar no disperdício que ficou transformar esse meu presente em vias e ruas para te cruzar no futuro. É de quem sabe deitar num travesseiro alugado e bater as mãos na testa com arrependimento doloroso. Mas pior ainda seria o remorso. Nessas poucas páginas de vocabulário que eu tenho anexadas aqui na minha cabeça, escrito em laranja gritante ficam piscando duas palavras idiotas e sem sentindo: "e se... ?".
O vento levou os pingos de resto de chuva para longe daqui, te contou pro acaso, e por culpa dele, se soltou todo o amor que eu amarrei no travesseiro. Enquanto seu vício te perdia com os novos amigos do centro da cidade, eu te esperei no toque do telefone. Precisei fazer de você a minha garantia. Então, adotei contigo aquele amigo que consertou tão superficialmente toda a dor que ficou distante. Tolice, se não existe dor no padrão dos nossos olhos. Porém, só esqueço quando você me fala dos seus sabores favoritos e das suas cores preferidas. Aí, peço para que venha o inverno só por fora. Julho não verá nossos adeus; porque dois dias de cento e vinte reais vão nos despertar para um sono de lençol, e uma sacada com cheiro de areia úmida. Ficaremos juntos até que em volta dos seus braços finos fique todo o resto do que não se vale a pena abraçar; nada tem seu perfume. Cansei de esperar por algo de errado, você me funciona tão diferente. E se a noite acaba, amanhã tem pôr-do-sol. Traga sua liberdade, e me prenda nos seus sonhos planejados sobre o asfalto. Dessa vez, grita bem alto; é que eu me apaixonei pela sua voz.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Você já não consegue mais me machucar. E se você pudesse apenas ver o quanto me fez crescer, o jeito como meus olhos nunca mais serão seus. Então eu te daria razões, te daria uma vida inteira para desistir do que você já desistiu uma vez. Te revelaria uma janela e suas cortinas, uma rua e suas idas e vindas. Te daria bom dia e até logo. Te contaria o que eu ouvi na sua ausência, te daria o número das batidas que meu coração bateu sem ao menos lembrar que você existia. Te cantaria todas as músicas que eu conheci desde que você se foi. Mas seria muito se eu te pedisse para que não voltasse?
Eu queria prender um sorriso nos meus lábios, me agarrar ao seu braço com força, apertar qualquer sonho por entre meus dedos. Mas minha mão já não tem forças - ou nunca teve - para segurar alguém, você. Minha palma é escorregadia e os meus pés só aprederam a fugir. Meu corpo não se acostuma, minha mente corre para qualquer outro lugar. Vou mudando meu coração, sempre olhando em volta. Nunca satisfeito, nunca saciado. Todos esses dias vão embora, os desejos dormem, e a coragem desaparece. Eu tenho a cabeça com visão ampla agora, mas ainda preciso de mais tempo. E o tempo? Ah, o tempo nunca foi o meu forte.
Sei que uso as mesmas palavras, sei que insisto em falar de distância. Mas garanto que é direcionado a novos rostos. Aqui escrevo de dois mil e oito, de um número par, correndo por não estar sozinho. Quando par é dois, quando par somos eu e você, a manhã, a tarde, e a noite não são tão longas quanto as madrugadas que fogem tanto de mim e do meu controle do tempo. Posso nem te amar ou te querer eternamente, mas as declarações já não são a motivação de tudo. O ar que eu respiro pode me acordar e o som da chuva me dormir como criança. E eu posso sorrir com qualquer palavra sua ou simplesmente bocejar bem grande, nem dependeria de você. Eu falo de humor, de ter a sorte de acordar bem. Da sorte que seria acordar do seu lado.
Dessa vergonha que sentou do nosso lado, eu nem lembrava mais. Vem, me resolve essa vontade que eu tenho de te descobrir, esse gostar sem ter, sem sofrer, nos braços da infância. E cada olhar bobo, fim de assunto tímido, comentário que chega de alguém que conta, vira grande coisa, fica repetindo na cabeça. Então eu quero ouvir com euforia, de novo e de novo o mais mínimo detalhe que te escapou de mim. A gente vem vindo devagarzinho, virando casal sem me deixar tonto. De apontar para a nuvem te vi no céu, de um azul bem azul como a água da piscina dos seus olhos. Nesses eu mergulho sem bóia nem nada. E que seja bem fundo, estou precisando me afogar.

do contra.

Eu não quero ficar egoísta. Sei que só você entende o que isso significa. Mas é difícil quando o alcool, a nicotina e o frio gritam com a gente, pedindo pela mesma coisa. Damos um jeito de disfarçar que não sabemos do eles dizem. É como ignorar o sangue que passa pelas nossas veias. E nos meus sonhos, nós estamos mortos. Não faz diferença porque é apenas um sonho e amanhã eu acordo. A guerra agora é com o tempo, temos que apressá-lo sem correr perigo. Segurança só existe mesmo dentro de casa. Mas eu prefiro dividir a calçada enquanto ando do seu lado.