quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

De mãos dadas com a ironia

Vamos desprezar nossos corações, vamos conhecer pessoas novas, dar espaço para outras invasões. Vamos abrir as portas, os braços e as pernas. Vamos nos trair, em boa hora para sujar nossos rostos e bocas. Vai, podemos contradizer nossas verdades e nos proteger com o perigo. Cair e quebrar os joelhos para desaprender a levantar. Eu posso fingir que não dói porque sei mentir. E se eu não quisesse tanto o contrário, já teria me perdido no vazio da mais falsa liberdade. Mas alguma coisa em você me mostrou que liberdade é algo mais parecido com se livrar do resto do mundo.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

ahn?

Sorte de hoje: A pessoa que lê sua sorte perdeu a cabeça (e o emprego). Esperamos que você esteja com sorte.

sábado, 22 de novembro de 2008

Pés

Os pés dançando nos lençóis, os pés se encontrando nos beijos, nos abraços, nos encontros de braços, volumes de ar, resquícios de voz. Os pés que abrem a porta, nos levam para o quarto, e nos trazem de volta.

domingo, 2 de novembro de 2008

nichts wird ändern.

Já fazem meses que eu acordo por você. De manhã a cortina rouba a cor do sol através da luz, e esse começo tem muito do seu nome. Depois, o café da manhã sou eu quem faço; o pão, a fruta, ou seja lá o que for para me libertar da fome, consegue imitar o seu gosto.
E antes de te ver, nas ocupações de todo o dia, se me pego distraído, é perdido em você. Ainda prometo descobrir se é a sua lembrança quem me distrai, ou se é a distração quem me leva os pensamentos até você. A questão é que fico pensando, e pensando... lembro de cada detalhe, qualquer coisa que me faça rir sozinho. Fico remoendo pedacinhos da gente e alimentando a saudade que cresce e continua crescendo até que meus braços estejam enrolados no seu pescoço.
Sei que são apenas poucas horas, no máximo um dia ou dois. Mas a falta me deixa agoniado de vez enquanto, coisa que você resolve fácil com apenas uma conversa. Como pode ser tão leve, doce, aveludada, azulada, e caber perfeitamente dentro do meu coração apaixonado?

Eu me preocupo com qualquer idiotice, sinto sua falta antes do sono, e te durmo sempre dentro de mim. Isso você já sabe de cor. Mas prepare os seus ouvidos, porque enquanto for verdade, eu vou repetir, e repetir, e repetir... até que o dia não repita mais a noite, e a noite não repita mais o dia.

Dualidade

Vai parecer bem piegas, mas vamos lá: estou me sentindo estranho.
Cresce tanta confusão dentro de mim. Vejo-me claramente posto em um trampolim, e o arrepio que sinto não é do medo da altura, mas do jeito como as roupas de banho deixaram meu corpo tão vulnerável para o vento. Abaixo dos meus pés há duas piscinas para eu pular, e não se pode entender a profundidade de nenhuma das duas, tudo sempre fica pequeno visto do alto. Não quero mergulhar. Abraço forte e talvez nunca solte da inveja que tenho daqueles que se apoiam na borda, ora aqui, ora lá, conforme lhes convém. E eu, que vou me afogar. Beber muita água e me afogar em apenas uma das piscinas por enquanto, acho que sou ganancioso demais para isso.

Vaidade

Marcelle tinha ido para o banho. A noite prometia ser ótima, e ela prometia se arrumar à altura. Eu já previa que ficaria no seu quarto por intermináveis duas horas. Sozinho com todas as suas coisas, escolhi dar uma olhada no seu diário. Abri bem no meio, em uma folha marcada por um clips que segurava a embalagem do maço de um malboro vermelho.

"Tem vezes que o cigarro é o único que me acompanha, não perde o passo. Queima conforme o meu fôlego, queima o meu fôlego. Tem dias que é só ele quem me beija a boca e intimida a solidão. Odeio a solidão e, por isso, ao fim do último trago, enfim o salto do filtro ao asfalto, confiro o maço a procura de outro. Maltrata a minha garganta e os meus dentes, altera o meu perfume e a minha imagem, mas eu gosto mesmo assim."

Bom, ela gosta.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

sabe quando você simplesmente enjoa?
eu enjoei. de muitas coisas, até. enjoei do gosto da minha comida preferida, da blusa e da calça que considero as mais confortáveis, das músicas, das músicas, do carro novo, dos amigos, de assistir aula, do meu cigarro preferido, do meu suco diário na praia, de dar aula, de ficar deitado olhando pro teto...
tenho tantos planos pra minha vida, e não sei nem por onde começar... o que me impede completamente de... começar!
eu tô feliz, até demais, porém algo me segura, me dizendo pra levar tudo devagar, pra relaxar um pouco. problemas todo mundo enfrenta, os meus, graças a deus, sempre são resolvidos no mesmo dia, mas sei lá. queria me sentir mais igual aos outros: queria sofrer um pouco. queria sentir fome, pra dar valor ao prato que me é servido todos os dias. queria ser completamente viciado em cigarro, porém não ter nenhum. queria morar num barraco, pra dar valor ao meu apartamento enorme que me parece tão vazio.
acho que preciso mesmo é dar valor ao que tenho... mas ultimamente, não tá dando.
quem sabe ano que vem.

domingo, 19 de outubro de 2008

Preto e Branco

Era óbvio demais esperar demais que você me atendesse no final daquela tarde então liguei só para ouvir cair na caixa postal. Eu e ela já somos amigos íntimos.Afinal, quem sente saudades por aqui, sou eu mesmo, sempre. Juro que não te entendo, muito menos me entendo do porque de eu continuar te procurando.O que mais me chamou a atenção em você é a mesma coisa que hoje que nos impede de estar de mãos dadas. A diferença. Do meu sentir, do seu desligar.

Te ver é algo como me olhar no espelho e ver o reflexo invertido. Ao mesmo tempo que é me completar. Você é o sujeito (simples, feminino) da minha oração. E pensando bem, também é a minha oração de noite. O Vice e o versa, o sol a e chuva, a montanha e a praia, preto e o branco, e vice-versa. Engraçado que sem um, não existe o outro. É a arte imitando a vida.

Então, pego meu copo de alcóol (e você, de leite) e brindamos essa eterna distância, que nos une, que nos atrai, que nos separa. Afinal eu procuro o novo, e você é a última tecnologia. Sem manual, é claro.

A Matemática e a Biologia. Assim sou eu e você. Parecidos na ocupação, distantes na prática.

O fio e o fim da vida.

Mais um dia. Amém.

15 pras 7. 7 e 15. Sono atrasado. Sono. Atrasado. Leite quente, chão frio. Garagem do prédio, ponto de partida. Partiu, freiou, bocejo, a rádio de música e a de notícias. A poesia desapercebida. A mesa e os documentos. Pausa dramática: lembranças. Email. Mais um e outro. Comida chinesa. Escolha, rua, telefone, 15 pras 2. 2 e 15. Sono. Problema 1, 2 e 3, paciência, 0. 6 e pouco. 6 e muito. Carro. Atrasado. Trânsito parado. Blusa quente, noite gelada. Ponto de chegada, curso, PDV. Partiu, freiou, o grito, as crianças e meu filho, "Ah puta que pariu!". Que se dane a poesia! A casa e as fotos. Pausa pseudo-dramática: lembranças, telefone. Mensagem e outra. Hambúrger e a indigestão. Escolha, cama e coberta. Preocupação 1, 2 e 3. Paciência? 15 pra meia noite. Meia noite num dia inteiro.

Menos um dia. Amém.

terça-feira, 7 de outubro de 2008



balaio, domingo eu não saio... de bambu e corda, só se for pra rezar. luz no cabelo e nos olhos, no sorriso do justo, feito pra iluminar. cruz, na parede e no púlpito, nas nossas costas de súbito, pesadas pra se carregar. porta, abre e fecha o caminho, o balaio eu carrego sozinho e ilumino essa luz com meu jeito de andar.
tem horas que a gente se pergunta por que é que não se junta tudo numa coisa só...






o mar do leblon tá fodido. to puto.

De novo você

As nossas bocas juntaram e a cena ficou girando na minha cabeça, igual naqueles típicos filmes de romance, onde a câmera rodeia o beijo principal. O vento sempre levanta algumas folhas de outono, e os créditos começam a subir com alguma música lenta.
O quão real é isso? Não consigo lembrar nem de quanto tempo passou, porque parece que sempre foi assim. Quando falo sobre isso me sinto tão idiota. Não sei se algum exagero veste a verdade de mentira, mas é isso, caí nas suas mãos. E vou continuar tropeçando até você.
A culpa é sua, sempre achei que você poderia ter resistido um pouco mais. Mas eu não. Jamais poderia ter continuado sem tentar. Eu nunca passaria a reparar no que os pássaros cantam. Não sei ao certo quem você é, a gente não consegue enxergar muito bem de tanta distância, só acredito no que você me faz sentir o tempo todo.

Previsível




É horrível ter que re-aprender a se divertir sem beber. No mínimo decadente. A gente cresce e de repente se vê precisando das coisas. Não que seja por acidente, a gente sempre sabe. Eu, pelo menos, sempre soube. Mas aí vem um dia, como um outro qualquer, e te conta, como se revelasse o maior segredo do mundo: olha, você precisa disso, você precisa daquilo, você sente a falta. E eu preciso de uma porção de porções de coisas.
Antes eu costumava gostar até do fim das festas. Mas já ficou enjoativo. O salão de festa com o chão sujo, as cadeiras de plástico todas empilhadas em algum canto, e algumas rodinhas de pessoas conversando sobre assuntos desconexos. Uma risada sempre se sobressai no meio disso tudo, uma risada bem sem graça.
Já faz tanto tempo que nada mais do que eu vejo é novo. Caiu de velho como uma fruta podre. O natal é igual, o ano novo mais da mesmíssima coisa. Tanto que passei a ver os anos todos colados uns nos outros, se parecem cada vez mais com o anterior, e ficam se empurrando assim, como uma repetição mal feita. Nem o tempo eu distingüo mais. Tudo uma coisa só. Que seja.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Remorso...

Vamos começar pela lua. Como pode ser tão grande e caber nos seus olhos? É um tipo de reflexo que eu queria em mim. E depois, é ela quem fica de lanterna para os nossos passos quando é noite. Nunca nem escondi que prefiro as noites, que prefiro esquecer a hora de voltar, que te prefiro quando o céu está escuro. Em pensar que as estrelas sempre vão precisar do céu apagado para brilhar, alheia a isto, mesmo quando já se fez manhã e estamos indo para nossas casas, a lua permanece mais algumas horas pendurada acima de nossas cabeças.
Prender as mãos, mantê-las cruzando nossos pulsos. Tenho certeza que elas odeiam os postes e as esquinas complicadas que tentam separá-las. Mal consigo me importar se as palmas estão suadas, ou tremendamente geladas, enquanto simplesmente estivermos de mãos dadas. E carinho, carinho se mostra com mãos, com um leve toque, seja nos cabelos, no braço, na perna, nos pés, ou desenhando a forma do rosto. As suas mãos falam. Aquela mão tímida que quebra a distância de uma mesa para dois, atravessando pratos, copos e saleiros em busca de companhia. Aquela mão que me cutuca discretamente enquanto qualquer um fala, só para que eu saiba que pensamos na mesma coisa. Aquela sua mão que me arranha as costas, que me puxa com força para levar a minha boca até a sua.
O seu gosto não me enjoa, não me farta, não tem fim. Decorei cada pedacinho da sua boca, você sabe, preciso dela ainda assim. Nossos lábios já tomaram um a forma do outro, do mesmo jeito que o travesseiro te acomoda a cabeça na hora de dormir. Eu gosto mais de dormir com nossos lábios colados, respirando o mesmo ar que te faz respirar. O mesmo ar que encontra meu ouvido e me faz arrepiar.
Não quero nenhuma porta fechada entre nós. Por isso te escrevi, só para me desculpar.

Grrr

Já parou para pensar nas chances que se perde por preguiça, negligência, ou simplesmente por piscar os olhos na hora errada? Digo isso porque resolvi insistir em provar que o amor não existe quando ele está bem aí, debaixo do meu nariz. Se eu pelo menos nunca tivesse sentido nada, ou quem sabe se eu fosse um robô e nem tivesse nascido... mas não. É como negar a chuva quando já se está encharcado no meio da rua por causa da água que caiu do céu.
Mas é tão injusto. Como posso querer entrar em um jogo sabendo que vou perder, e perder muito, perder você. Não quero.
Pior é que sei onde encontrar as melhores sensações. Droga, eu deveria me sentir tão sortudo, só em saber que às vezes preciso muito de alguém. Você me faz tão bem e disso não posso fugir. Nem se eu me isolasse por dias. Nem se eu desistisse de abrir a janela e ver o sol, porque sei que ainda assim te veria. Mesmo de olhos fechados e no escuro, te veria. Ainda ouviria sua voz no silêncio. Droga!

Desapropriar.

Apenas uma decoração. O braço dele sobre os seus ombros era apenas por decoração, porque os olhos dela me fitavam de cima abaixo, percebendo meu nervosismo e entendendo minha vontade em retribuição.

Ninguém tem a pretensão de fazer caridade. Na verdade, não convém querer o troco de uma relação má sucedida. Todos estão atrás das obras mais pleiteadas, da metade mais bonita de um casal. Não se trata de invejar a felicidade alheia, mas de provar para o próprio ego que se pode fazer alguém tão feliz quanto.
Jogar um copo contra a parede para assistí-lo espatifar, ou apostar parar assistir alguém perder, deixaria qualquer um livre de culpa, quando a culpa não machuca mais.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Isso é sobre um sonho que eu tive noite passada. Eu assistia você se vestir depois do banho, e a gente conversava enquanto você secava o seu cabelo. A noite a gente saía, e eu te abraçava e te beijava bem no meio da rua, sentindo sua mão na minha cintura. Era você mesmo porque eu conhecia seu cheiro. E mesmo a gente caminhando sem estar de mãos dadas, eu te tinha. Mas faltava alguma coisa. Talvez porque nada disso tivesse sido real.

Ainda não entendi qual é a conveniência de te querer tanto assim. Se você pudesse optar, me escolheria também? Porque eu te escolheria até na pior das hipóteses. Eu erraria muito por você, enquanto todos só estão preocupados em acertar. Porque diabos você significa tanto para mim? Se todas as vezes que eu abri meu armário não fossem procurando me vestir do jeito que eu acho que você gosta... é que sei lá, só queria que fosse você aqui do meu lado.

Odeio essas suas viagens à São Paulo...

sábado, 20 de setembro de 2008

Eu sei, mas não devia.

Eu sei que a gente se acostuma.
Mas não devia.
A gente se acostuma a morar em apartamento de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha pra fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E porque à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora.
A tomar café correndo porque está atrasado. A ler jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíches porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a abrir a janela e a ler sobre a guerra. E aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E aceitando as negociações de paz, aceitar ler todo dia de guerra, dos números da longa duração. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com o que pagar nas filas em que se cobra.
A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes, a abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema, a engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.
A gente se acostuma à poluição. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às besteiras das músicas, às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À luta. À lenta morte dos rios. E se acostuma a não ouvir passarinhos, a não colher frutas do pé, a não ter sequer uma planta.
A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente só molha os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda satisfeito porque tem sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele.
Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito.
A gente se acostuma para poupar a vida.
Que aos poucos se gasta, e que, de tanto acostumar, se perde de si mesma.



(Marina Colasanti, "Eu sei, mas não devia", p.09)

domingo, 7 de setembro de 2008

Ainda.

Eram quase nove horas quando ela atravessou a sala com tudo. Bateu a porta de um jeito que fez estremecer todas as paredes da casa. Encolhi os ombros, serrei os olhos com o barulho, e senti estremecer até os meus ossos. Não me arrependi. Talvez ela nunca fosse entender mesmo, e eu não precisava que ela entendesse. Para ser franco, nem queria. Quem sabe se eu devesse ter corrido atrás dela, gritado seu nome, se pelo menos lhe desse um pequeno abraço que seja. Um abraço não curaria nada! Eu sei disso porque anos atrás quando eu saí batendo a porta, a última coisa que queria era a porcaria de um abraço.
Olhei entusiasmado para a janela toda molhada de chuva, sempre achei que ela ficava mais bonita assim. Uma folha de árvore, bem grande, grudou no vidro por alguns segundos. Aproximei-me e vi que era seca, então caiu. Logo voltei meu pensamento nela, aquela que fiz sair feito um furacão tão furioso que destruiria uma cidade inteira só para aliviar sua raiva. Grande bosta, ela caiu como a folha, e de tão seca que era não fez falta. Caiu de seca que era. E acredito que seria impossível calcular quantos quilos aquela garota pesava para mim.
O cigarro ainda queimava no cinzeiro, em cima da mesa de centro. Eu o acendi logo que resolvi falar tudo de uma vez. Foi tudo isso o que durou a nossa briga. O fim de meses inteiros, anos contadinhos dia por dia, resumiu-se nesse meio cigarro queimado. Uma pena, deve ser para ela. Uma pena deve ser para os olhos daqueles que nos acompanhavam como se fóssemos uma novelinha. Uma pena para os tios, os primos, e os amigos que nos azucrinavam nas festinhas de família. Uma pena também deve ser para aqueles invejosos que tinham o que invejar e agora não sobrou mais nada. Na verdade eu não me importo muito mais.
Abri a geladeira, eu sempre faço isso para matar o tempo. Agora eu queria fazer alguma coisa com o tempo. Estava ficando deprimido. Acho que meu egoísmo me pegou severo demais. Mas toda vez que eu pensava na boca que eu já havia enjoado, subiam-me náuseas. Era um desgosto só imaginar tudo de novo, todo aquele tempo que hoje está morto. E eu falando em matar tempo. Nunca matei tanto tempo estando ao lado de alguém. Exatamente assim, acho que estávamos apenas matando o tempo. Matamos belos meses, maravilhosos dois anos e poucos dias, doze horas e meio cigarro queimado. Bom, agora até o cigarro já havia apagado.
Fico pensando se algum dia eu a topar pela rua. Caminharíamos algumas quadras juntos, ela forçaria um sorriso escancarado e eu me encheria de tédio, mas seria bem agradável. Ela certamente perguntaria a quantas anda a minha vida, e comentaríamos de alguns conhecidos. Depois na esperança de me conquistar de novo, ela me convidaria para um encontro, só para quem sabe, algum dia, ter a chance de me massacrar como eu fiz anteriormente. Talvez eu até deixaria escapar um sorriso sincero. Nos despediríamos na próxima esquina e haveria mais um fim de um dia estúpido, daqueles que só servem para encher sua vida de horas.
Entretanto, se eu acabar por me apaixonar novamente por ela, seria por algum detalhezinho que eu ainda não fui capaz de enxergar. E aí, ela seria uma outra pessoa, tão nova quanto uma daquelas que se vê pela primeira vez em um bar. Porém, esse futuro nem sequer existe, e eu não quero que venha a existir.
A realidade é que eu já a troquei, por alguém bem menor que ela. Mas que se encaixa perfeitamente nessa porção limitada que eu sou. Os seus braços se parecem mais com os meus. Simplesmente fui correr atrás dos meus interesses.
Deitei no sofá, brincando com controle remoto da televisão enquanto paquerava o telefone. Eu tinha para quem ligar, só não queria ainda.

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Parliament.

Tenho andado mais ocupado do que nunca. Meus dias deveriam ter 500 horas, talvez assim conseguisse conciliar a mudança, o novo emprego, o curso, o estudo e as horas extras que gostaria de passar com você.
É estranho dormir em um novo quarto, mesmo já tendo dormido em inúmeros hotéis e casas de amigos, mas... quer saber? É uma nova etapa começando... mais uma de tantas que já se passaram! Nesse novo estágio tenho apreciado as caronas e pego gosto por andar de ônibus, minha única reclamação é não poder fumar dentro dele, mas, bem, já era hora de diminuir a necessidade. Tô ficando tão bom nisso!

Sabe, só queria dizer que você fica linda vestida de amarelo.

Escolhas.

Cada minuto que se estende até o outro me leva a crer que somos parte de uma sucessão de escolhas, escolhas que a gente nem sequer percebe. Escolhi meus amigos, e as ruas certas para levar meus pés. Hoje sei que meus passos me levaram todos até você. E agora sei que essa idéia que ainda bóia na superfície da minha lembrança, veio do refrão da última música que o meu winamp escolheu. Mesmo assim, juro que não escolhi gostar tanto de você.
Eu sinto essa fome corroendo meu estômago doente de ansiedade enquanto me concentro em algo que gostaria de te dizer. Me apoio dentro do primeiro engarrafamento que o rádio noticia e permaneço calado. Das infinitas músicas que já foram escritas e das centenas de melodias que se amontoaram na minha memória até agora, nenhuma se encaixaria entre nós tão bem quanto o silêncio que sonho em rechear de olhos fechados. Preciso de você mais perto, a fim de ouvir meu coração batendo com pressa, me ajudando a juntar ar para o fôlego de um longo beijo.

Ganância.

Tudo parece estar tão perfeito que eu perdi até o direito de reclamar. Não seria justo, porém não consigo deixar os trilhos retos. Adoro uma tempestade sem que exista algo aonde eu possa me segurar. Às vezes chego a pensar que gosto mesmo é de me assistir desmoronado ao chão. Só que não, não estou assim. Estou feliz.
Não tive nem o trabalho de me preocupar com os enganos que eu poderia fazer. As decisões já foram todas tomadas, antes que eu me desse conta, das minhas mãos por algum poder do destino. Não tive escolha, apenas subi em uma esteira e esperei calmamente que ela me levasse ao êxtase de estar apaixonado, amar e ser amado em troca.
Mas com pesar confidencio que preferia errar, que gosto de correr e suar por isso, e que sinto-me inútil por perder a chance de escolher. Será que cheguei atrasado, ou simplesmente era assim que tinha que ser? Ainda quero, ainda espero por você.

sábado, 16 de agosto de 2008

Nós.

O dia mais longo da minha vida começou com o nosso segundo primeiro beijo e ainda não terminou. Talvez por isso que eu goste tanto de ver seu pulso livre de relógios. Então ninguém vê que reeducamos o tempo a nosso favor, que nosso silêncio não constrange, e que as horas são apenas um quadro abstrato que observamos na parede da vida dos outros. Nossos passos são dados por fora do trilho, nossas mãos são dadas, gêmeas siamesas, grudadas. Nosso chão é grama, nosso céu é homogêneo visto da praça. Os seus, os meus amigos se confundem em nossos. Nossos planos, nossos sonhos, nossas viagens, nossas compras, nossos erros, nossas loucuras, nossas idas, vindas e vidas. Nossa esquina do lado da banca de jornal. Nosso canteiro atrás do supermercado. Nossa cidade do terraço do seu prédio. Nossa cafeteria. Nossa revistaria. Nosso banheiro. Nosso sexo. Nossa praia esperando por nós. Nossa filha esperando por nós. Nosso apartamento esperando por nós. Por fim, um casal, uvas e uma pequena fresta de luz.

Cadeira?

-Você está bem?
-Estou com você.

Encanto.

Fico lembrando seu jeito inquieto e como gesticula alucinadamente ao falar. Como fala ao cumprimentar; como seu "alô, thi?" soa como as músicas mais gostosas que costumam tocar no rádio do seu carro, que você faz acelerar a ponto de meter medo até em mim, o dono de uma das multas por velocidade que você recebeu. O cheiro do seu cabelo liso e o jeito como passa seus dedos entre o meu, seus olhos e seus olhares, tão carinhosos e tão intimidantes. Quero deitar em cima de você, quero seus beijos novamente. Não entendo o que sinto você fecha a porta do carro e fico te olhando, mesmo sabendo que não me olha, só se vai. Você sempre vai, porém sempre volta. Acho que essa falta de certeza é minha única certeza de que você sempre irá voltar.

(dá pra voltar ainda hoje? =) )

Tráfico de meses.

Deitamos no chão vestido pelo verde mais lindo que meus olhos podem ver, ainda é a nossa cama. E como as notas de piano que combinam com a perfeição, o seu carinho combina com a minha felicidade.
Pegue o que quiser de mim. Desse meu diário de loucuras, há uma história na nossa distância que se entitula saudade. Vou dizer algo sobre nós dois, somos analfabetos de avisos de cuidado, e mesmo assim, as coincidências insistem em andar ao nosso lado, tomando as nossas dores. Mas se errar não fosse tão saboroso, eu juro que não dividiria isso contigo. E já que a nossa tolice de evitar a realidade não faz de nós mentirosos, queimaremos a cidade mais movimentada com nossos sonhos de felicidade instantânea. Sempre haverá uma garrafa de vinho vermelho para dois apaixonados.
Pensar é melhor em dois, casando nosso futuro e já cuidando da nossa menina. É tudo uma questão do agora; o tempo é um só, sem intervalos e tudo acontece numa linha enorme. Vamos rasgar os dias, as horas... hoje eu tenho você comigo e todos os milhões de minutos de vida que nos restam logo a frente.

Sim.

O som repetitivo e o teor de insanidade aceleravam meu instinto. Seguia um amigo, seguia um estranho. Dedos com vontade própria avisavam a minha cabeça que queriam apertar aquela cintura feminina. Quando sua mão apoiou no encosto da cadeira, chamou a minha para que se ajeitasse sobre ela. E foi a falta dos olhares que negaram o descaso. Tudo sem o mínimo de porquê. A razão destrancou a porta, o gelo esfriou a boca e o juízo fugiu sem deixar rastro algum pelo chão. Nesses meus últimos meses, me seqüestraram o não. Nas noites de céu escuro e sem estrelas, correm para longe as oportunidades de pedir socorro; em noites assim, prevalece sempre o sim. Os faróis se distorcem com a velocidade, os seus beijos se dissolvem com a intensidade. Se está tudo tão compatível, nada se choca. Vou mudar, só porque cansei de mudar... de par.

São Paulo.

O seu cheiro ainda estava na minha roupa, e foi assim que me demorei a entrar no banho, perdido em você. Se bobear gosto até da sua antipatia com as palavras, da sua seriedade em forma de armadura, do sol que nos acordou e do ônibus que nos separou. Acho graça no seu jeito de respirar, e sorrio de olhos fechados, porque é inconfundível você. E aí, eu vou te ensinar tudo o que eu não aprendi contigo, e ganhar de você paciência, talvez até um pouco de responsabilidade - palavra que com você se fez coada do tédio. Pra que uma mulher, quando se enxerga uma menina? A mais perfeita e quieta delas. Adulta para o que aparenta ser, tão jovem para o que é. Parece que a vida lhe foi curta de tempestades, daquelas que te estragam um pouco. É desafio pra mim, travesseiro da ousadia. Mas não aposto em mais nada, nem prometo outra história. Que venha de certo, e o que vier, veio. Só que o seu cheiro... esse eu quero sempre comigo!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
(LINSPECTOR, Clarice. Para não esquecer. São Paulo: Siciliano, 1992)
"Quando Ana me deixu, eu fiquei muito tempo parado na sala do apartamento, cerca de oito horas da noite, com o bilhete dela nas mãos. No horário de verão, pela janela aberta da sala, à luz das oito horas da noite podiam-se ainda ver uns restos de dourado e vermelho deixados pelo sol atrás dos edifícios, nos lados de Pinheiros. Eu fiquei muito tempo parado no meio da sala do apartamento, o último bilhete de Ana nas mãos, olhando pela janela os dourados e o vermelho do céu. E lembro que pensei agora o telefone vai tocar, e o telefone não tocou, e depois de algum tempo em que o telefone não tocou, então pensei a campainha vai tocar. Mas a campainha também não tocou, e eu continuei por muito tempo sem salvação parado ali no centro da sala que começava a ficar azulada pela noite, feito o interior de um aquário, o bilhete de Ana nas mãos, sem fazer absolutamente nada além de respirar.
(adaptado de: Caio Fernando Abreu, "Sem Ana, blues" In: Os dragões não conhecem o paraíso. São Paulo, Companhia das Letras, 1988)

domingo, 10 de agosto de 2008

Saudade de sentir saudade

Gosto daqueles dias de garoa chata que insiste em não sair do céu, daqueles dias cinzas de quase sem cor, dias de cobertor e filme antigo. Gosto daqueles dias final de férias que dá saudade de sentir saudade. Não me lembro o que me fez amar tanta gente, não consigo me lembrar de como era ter o coração partido ao meio.
A gente nunca deixa de ser besta, mesmo depois que cresce um pouco e acha que já viu de tudo. Como é que eu posso estar insatisfeito e sentir a falta da dor, da fossa de entender todas as músicas de amor? Justo agora que tudo aquilo já passou!
Será que sua frieza passou para mim, já que sinto estar começando a te esquecer?

Percebe?

Você tem sido pior do que pegar o ônibus errado pra lugar nenhum. Os nossos planos tem sempre essa cara de desastre, que eu adoro só por ser tudo o que temos. Acho que esse "lado b" que criamos das nossas vidas está ficando perigoso demais, os últimos meses passaram tão depressa e não mudaram nada. E a gente ainda fica se levando pelo acostamento de uma larga estrada de ilusões sem se preocupar com o que sobra quando resolvemos cair na real. Quando à isso, eu já lavei as minhas mãos. É óbvio que não sou eu quem quero me responsabilizar pelas decisões, muito menos você. Falta-nos a maior parte da coragem. Sabe, você pode me contar suas milhões de histórias sobre seus sentimentos e vontades que eu vou continuar duvidando de que não sou eu quem faz o papel de idiota aqui. Estamos apenas de passagem, mas confesso que adoro me deixar enganar por você, e sei que você gosta muito disso. Mentir é tão fácil, ouvir é mais ainda. E além do mais, não estou pronto para apanhar das nossas verdades por enquanto. Vamos deixar assim, vai.

domingo, 3 de agosto de 2008

Eu quero matar o ciúme, aquele que me coloca na frente do espelho para que eu veja minha cara de idiota enquanto enciumado desejo alguém que já tem seu par. Mato também aquele ciúme que julgo tão bobo e que quando sentido pelo outro, rouba meu espaço e furta o ar refugiado em meus pulmões, me sufocando de dentro para fora. Morte ao ciúme doído, que como as traças vai esburacando as relações com sua fome enorme de desconfiança. Esse ciúme que desgasta carinho, esconde amor e cansa os ouvidos, não combina comigo, não combina com você.

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Eu só queria ser uma imagem bonita, mas inexpressiva. Ao invés de pseudo-filósofo, ser realista e tocável, abraçável e amável. Quem me dera ser deixado na miséria, com todas as minhas dores e sem nenhuma das belezas que eu possuo. O coração arde com a imagem da retina, o sangue palpita e a mente duvida.

Quem dera não mais me importasse. Depois de tanto tempo e tantos muros, a lua se esconde atrás de um negro desconhecido. O livro não conta mais história de amor e leitura socióloga define o que sentimos. E como o vento, passa. Passa tão dolorido e inperceptível que quando me dei conta deixei os pássaros voarem. Fiquei na felicidade.

É o contrário do nome. A explicação vem como um problema mal solucionado. Do nada, o passado. Do futuro, o explicável. É assim que eu termino a estadia, insolúvel, enigmático e, mais que nunca, falso.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Orgulho.

As mesmas cartas abertas, as mesmas palavras lidas e relidas. Minha dor de cabeça não descansa, e piora com o álcool que tem mania de deixar tudo maior. Garrafas de vinho vazias e outras duas linhas mal escritas por um sentido que até você já deixou para trás. Nossas fotos esparramadas pelo chão dividem espaço com lágrimas e o meu coração roco de tanto gritar pelo seu. A gente sente tanta falta um do outro, mas não se admite.
Nunca vou entender tudo, eu sei. Como é que você consegue fingir tão bem? Quem te ensinou a me machucar tanto assim? Os seus motivos são os mesmos que eu teria se estivesse em seu lugar. Mas eu não estou, e não existe justificativa que sobreviva apoiada em algo que não nasceu.
Enjoei de me distrair. E essa dúvida não pára de cutucar a minha insônia. Há semanas que não durmo antes das cinco. Só para não boiar na angústia, eu quero dias mais curtos.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Voltas.

Apenas sobreviva as perguntas e deixe as respostas para depois. Não me entedie dizendo o quanto a gente não pode, mas mostre-me o que consegue. Vai, não há porque não apoiar-se em mim, desde que prometa-me não pular fora da gangorra - não aguentaria cair se não fosse em seus braços. Estou me perdendo, cada vez mais, perdidamente alguma coisa por você. E essa sua teimosia? Minha vontade é força, não se engane.

Você, sempre.

E não mais do que de repente bateu uma saudade imensa de te ligar. Não deu outra, peguei o telefone no mesmo instante. Nessa vida a única coisa que a gente não pode é passar vontade de fazer acontecer. Inventei uma desculpa esfarrapada quando na verdade queria só te ouvir. E já naquele seu alô meio diferente, meio indiferente pra mim, senti que algo tinha mudado. Pra pior.Você já não deu atenção pra minhas histórias mirabolantes. Não falou da sua saudade, não falou que queria me ver, muito menos cantou um pedacinho da música que fazia a balada da nossa história. Me falou de amigos seus que nunca vi, de coisas que estranhei você fazer, de um jeito que nunca tinha me machucado como aconteceu ontem. Eu sei que preciso parar com essa mania ridícula de querer ouvir das pessoas o que eu quero ouvir.A mania de achar que o mundo gira ao meu redor, eu já larguei, e você que me ensinou. Sei lá, talvez tenha te ligado pra te agradecer, pra pedir pra você ir lá em casa e dizer que sinto sim, saudades.Não foi bem o que aconteceu.Sei que a vida não é como a gente sempre sonha. Mas, por favor, não mude porque a sociedade lhe pede isso. Futilidade não combina com você, nem o seu “alô indiferente”.Era tão bom te ver dizendo que queria mudar o mundo, que até me dava esperança. A mesma esperança que terminou ontem quando desliguei o telefone e percebi você tão longe. Longe de mim, longe de tudo, longe do que você mesma já foi um dia.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

é o fim desse blog.

como acabei de te dizer...


"falar, eu já falei demais. falta você querer me dar ouvidos."

sinceramente...

eu não consigo entender como uma pessoa te trai, é escrota contigo, diz que não quer nunca mais falar contigo, e depois passa a implorar seu amor e jura ter mudado, dizendo que quer outra chance, e quando você expõe que mudou, que não confia e não quer mais ficar com ela, essa pessoa fica PUTA, te xinga e não aceita o fato de que você não é obrigado a amá-la!

o amor que eu sentia por você ACABOU, e foi por sua culpa! não me peça mais nada, é sério. não to fugindo, só não te quero mais, e tô cansado de ter que repetir isso.



"i hate to say it but i told you so, told you if you left then you were gonna be miserable... guess he don't do it like me or else you wouldn't be runnin back to the past, it was you that left me... i hate to say but you know i'm right, everytime you're up and callin for me late at night... but now that you ain't got me, tell me where u gonna be, cause i can't take you back..."

quarta-feira, 9 de julho de 2008

manquer

Fazer falta. Em uma palavra: saudade.
A falta é uma coisa única e inexplicável. Que me faz querer gritar no três e liberar tudo o que tenho dentro dos meus pulmões para o mundo inteiro ouvir. A falta me deixa triste. Falta de quê?
De sempre, ouvimos que "as coisas mais simples da vida são as melhores". Falta de saber o que é isso, falta de entender, falta de te ver online, falta do seu oi, falta do seu tchau. Falta de você.

Regarde du coin de l’œil ou par en dessous.

erreur!

A vida é feita de erros. Mais que acertos. Erros, com ponto e vírgula, vírgula, ponto e letra maiúscula. O erro do colégio e o erro da faculdade. O erro do amor e o erro do ódio. O erro da vida e da morte. O erro do acerto. O erro do erro.

A gente aprende com os erros.

Cansar

Será que eu posso estar cansado da vida que levo, das pessoas que conheço e daqueles com quem converso. Será que posso enjoar da minha lista de contatos do Messenger, ficar puto com as pessoas que me passam rádio e ver que os meus e-mails não passam de spams ou fotos da última edição da Playboy. Será que eu posso não estar tão afim de usar o 'penis enlargement' e, decididamente, ter enjoado da cara e da fatura do meu cartão de crédito? Será que posso não gostar do curso que faço e querer mudar todos os textos que fiz? Será que posso mudar o meu jeito de beijar, o meu jeito de andar e o lado em que gosto de dormir? Será que posso me enjoar das minhas calças estranhas e camisetas apertadas? Será que posso deixar de escutar o que estou acostumado e querer uma coisa bem diferente e nova? Será que não gostar mais dos filmes que gostava vai mudar muito a minha vida? Será que se eu largar tudo agora e começar de novo vai ser tão difícil como parece? Será que o cômodo me incomodou?

terça-feira, 8 de julho de 2008

Falta.

De alguém pra me escutar. Pra ficar feliz por nada. Pra dizer que foda quando nem é nada. Pra abraçar quando tô carente. Pra dizer com o coração um sentimento. Pra eu ligar às 4h da madrugada. Pra me agradecer por fazer parte da vida. Pra me jogar na cara coisas que não vejo. Pra me dizer que se importa. Pra se mostrar preocupado. Pra se preocupar. Pra sorrir junto. Pra viajar. Pra ir até a casa. Pra sair de mãos dadas. Falta de alguém pra dormir nos meus sonhos e acordar ao meu lado. Falta de um caso do acaso, sem caso. Falta de uma ligação inesperada. De uma promessa duradoura. Falta de uma mensagem de madrugada. Falta de uma brisa na cara. De uma mão amiga. De um olhar carente. De um desejo iminente. De um calor ausente. Falta de uma roubada. Falta de uma surpresa. Falta de ser querido. Falta de ser amado. Falta, quanta falta.

Decidi!

Vou tirar férias. Só que ainda não sei do que, exatamente.

Oi?

Eu, nessa crise imensa de identidade, fico me perguntando o quanto quero impôr com palavras ou o quanto sou algo pra mim, mas, pros outros, não passo de algo. Um qualquer que se mete de... bem, qualquer coisa.

Quando a gente fica estranho, parece que nem as roupas mais servem. Hoje, me olhando no espelho, vi quão feio era. É, não adianta, a gente nunca vai se achar bonito. Pior, quando a gente fala que é bonito, vão falar que a gente é tão inseguro que tem que se auto-afirmar para acreditar em algo. Mas se a gente não crê nem nas próprias palavras, vai se basear na de alguém que te fala algo na cara, mas nas costas te desmente inteiro? É complicado.

Com o tempo, descobri que ninguém é fiel. Assim, que se pode acreditar. Por mais íntimo que seja, quando se está sozinho, a gente só vira o assunto da conversa. Seja por aquela imperfeição, pelo jeito. Ninguém é mais amigo pleno. Na vida, hoje, a gente tá, de fato, sozinho. Por isso eu tô deixando de confiar nas pessoas, por mais que isso me machuque. Até os mais queridos já deram pra trás.

Voltando ao assunto, eu, que sou egocêntrico, no ápice da confusão, entrei numa 'fase'. Que espero que seja fase, mesmo, tipo a adolescência, e que passe. Eu tô confuso mesmo. De vez em quando quero largar tudo, depois eu quero reconquistar tudo, depois eu quero que me reconquistem, depois eu quero que me esqueçam. Daí eu vou, talvez, seguindo assim, sem rumo e, se um dia chegar em algo, eu possa completar esse post.

Então tá, eu sinto falta de certas coisas. E eu sei que nunca mais as terei. É foda. E eu só queria um comentário...

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Ainda tem muito que cicatrizar. Fechar por fechar, não ta sagrando e já não dói. Mas ainda ta o livro aberto em cima do criado mudo, os beijos, abraços, carinhos, telefonemas, paradas, músicas, faróis vermelhos e tudo assim, meio que na contra mão de tudo que eu sempre esperei.

Hoje eu percebi uma carência absurda... De ficar sozinho.

Namorar...

Se você fosse o meu final de dia, a minha última ligação telefônica, os restaurantes dos extratos do cartão de crédito, o meu fim de semana, a música que toca no iPod, toda a saudade que não sinto, aquele nome gravado no anel, a primeira a pensar e a última antes de adormecer ... Se você fosse a minha satisfação, minha conta pra dividir, minha mão pra segurar, o ar do mesmo lugar, o perfume pra viciar, o ciúmes pra sentir e um segundo só pra odiar ... Se você fosse as minhas viagens em família, a minha foto de cabeceira, o papel de parede do meu celular, o meu abraço por trás, meu coração por frente e minha segurança de todos os lados. Se você ... ao menos fosse ...

li em algum lugar.

"E hoje deixa eu sentir a sua falta, pra saber que ela é gigante.
Hoje deixa eu sair sem você e não sentir vontade de ninguém, e te querer, do começo ao fim.
Hoje deixa eu te ligar e você não atender, deixa eu te mandar mensagem e você não responder.
Hoje finja que não existe! Desaparece, some, esquece.
Hoje qualquer rumo se torna perdido.
Hoje qualquer música se torna barulho.
Hoje qualquer beijo se torna dispensável.
Hoje o que eu tenho é a figura do ontem.
Hoje pela a manhã eu achei que fosse você.
Hoje pela a tarde eu senti falta de você.
Hoje de noite eu tive certeza. É você.
Hoje, parece que nunca existiu.
Hoje eu dependi de você.
Mas hoje, hoje ... Hoje eu não tive você.
Deixa eu pensar em mais 24 horas sem você, da forma que for, deixa eu te perder."

domingo, 6 de julho de 2008

Tenho saído bastante de casa. Hoje acordei jurando a mim mesmo que não acenderia um cigarro. Jurei que apagaria as luzes do banheiro e da varanda. Fiz compras 3 vezes: sinto que estou finalmente fazendo um uso digno da dispensa. Logo eu, que nunca tenho nada a oferecer às visitas além de cervejas, whisky e o telefone da pizzaria ou do China in Box, fiz um pequeno estoque de duas prateleiras só de petiscos. Comprei refrigerante(isso mesmo, refrigerante!) light, zero, diet e normal, H2OH de limão, maça, tangerina, sucos e vodka. Pizza, lasanha e torta congelados estão devidamente descansados no congelador. Saí andando pra ir ao mercado de madrugada e parei para assistir o nascer do sol, decidi subir até o meu apartamento usando as escadas(o joelho não gostou muito da idéia)... saí de tardinha para outra visita ao mercado e deixei todas as luzes apagadas, já que ainda estava claro. Quando voltei, meu apartamento era um breu. Acendi as luzes e me senti num lugar estranho, como se tivesse entrado no número errado. Não, estava no 403. É aqui que moro, mas definitivamente, aqui não é o meu lugar.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Porra.
Eu digo isso porque é foda.
Ver do fogo da inspiração,
A poesia saindo.
Do grafite.
Da madeira.

Se um dia eu for famoso, eu tô fudido. 90% da minha obra está em carteiras escolares.

Dívida

Eu devo ser muito besta.
Eu devo ser muito amigo quando não preciso.
Eu devo ser muito amado quando não devo.

Eu devo ser muito distante.
Que meu cheiro não deve ser sentido,

E passa despercebido,
Quando na verdade a intenção é outra.

Eu devo ser muito tapado.
Tão tapado que não sei o que devo.
Se devo dinheiro.
Se devo amor, ou alguma satisfação.

Só sinto que devo,

E devoro em letras suas emoções.
O que deve ser uma puta estupidez.

De novo

Ela poderia pegar o melhor atalho de idéias, que ainda assim chegaria atrasada para me deixar um boa noite em cima do criado mudo e um beijo de sobremesa. Tudo bem, quando sou eu quem vivo reinventando o nosso tempo. Tem sempre um último ônibus para pegar, um jeito novo para te agarrar. Não faço o seu estilo, e você já percebeu que sua mão sufoca a minha. Mesmo assim, senti muito a sua falta hoje e da pontualidade física, do abraço perfumado de você, das piras com as pessoas que estão nas salas de luz acesa dos prédios ao nosso redor. Cheguei a me esquecer que sua altura e sua presença tão forte me cansam, cheguei a me esquecer que a perfeição não me encanta. Essa noite, com aquela luz amba do teatro, mais as minhas mãos dadas a roda cheia de ídolos, instantes antes do espetáculo começar, seu nome gigante veio e preencheu minha cabeça. Com as pálpebras escondendo meus olhos, visualizei seus cabelos, senti sua voz acarinhar minha nuca, me arrepiei. Sou escorregadio, ausente, distante, eu sei. Mas por enquanto estou querendo grudar em você, de novo.

Questão de gosto

Pega no meu braço, mastiga a minha vida e cospe suas respostas. Da dor que sobra na minha angústia se fez o combustível da sua fuga, e dentro daquele buraco que ninguém colocou em mim, ainda se perdem gestos. Não tenho mais forças para escalar o muro de dificuldades que você construiu entre a gente. O tempo envelhece as pessoas e os seus hábitos. Te vendo séria, ainda sinto falta da sinceridade no hálito da sua conversa. Se desfez o impacto, e o tempo passa descontraído, quase sempre destraído para o queríamos de nós dois. Não decidi escolher de um só para falar, se todos tem um restinho do mesmo; os atraentes cabelos claros, as vidas e personalidades tortas, e os defeitos que me interessam.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

há um tempo eu não tinha dias como o de hoje, e confesso que nem lembrava como as coisas poderiam acontecer. acordar com o despertador na melhor parte do sonho, tomar banho tão cedo só pra acordar, comprar café na padaria e o caminho que me pareceu tão longo eram barreiras que me desestimulavam a continuar o que eu tinha prometido fazer. mas fui em frente e continuei. e sabe, não tenho motivos pra explicitar os acontecimentos, mas eles valeram muito a pena.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

“Porque jogar tanto sentimento pela janela? Porque sempre o caminho da dor?”. Porque o amor está fora de moda.

È, ele está fora de moda.

Ele foi “um momento”. E foi só isso. Ele foi brisa que passou e que não deixou marcas. E logo ele, que adorava brincar com “ponto final”, não viu nada além disso para uma história que prometia reticências..

Apenas

Ela não permitiu que o sentimento que conquistava seu peito descorresse junto com a conversa. Sorriu olhando para baixo, escondendo a vergonha. Ele fingiu ver as horas para tocar seu pulso, e ela manteve a mão firme, por mais que o terremoto por dentro a fizesse estremecer. Negou um beijo, dois, três. Ela estava sendo mais forte que um guerreiro em batalha. Mas a luta era interna. Três semanas antes, jurava amor eterno. Agora se convencia de que havia o superado. O ódio, irmão do amor, era contido, refugiado no canto de alguma parte de seu corpo. Uma hora chegaria sua vez. Ela só não sabia que querer ia sempre, a mesma, a mesmíssima pessoa por todos os santos dias do resto da sua vida. Fingir não fazia de uma mentira verdade. Não, ela não o esqueceu. Eles ainda pensam um no outro, apenas não se pertencem mais.

Talvez para um outro dia...

Abri a gaveta da cozinha em busca do biscoito que meu pai costumava comprar.Sabia que não teria. Entrei no computador pra buscar um novo amor. Cozinhei a salsicha em busca do gosto de macarrão. Esperei mensagem de madrugada. Dei dinheiro ao mendigo em busca de salvação e agradecimento. Olhei-lhe no espelho de lado, pra ver se o perfil ajudava. Acordei para ver o mar. Tentei procurar em meus armários roupas que nunca pude ter. E cartas também. “Onde está o perfume que eu gostei e nunca tive?”. Enxuguei a louça buscando orgulho. Fui a pé mas queria ir de carro. Hoje, um só meu. Atendi ao telefone com um novo jeito de dizer “alô” só para te agradar. Era engano. Acendi ao cigarro buscando conforto e bem estar. Abri a porta e não te vi.


Tem certos dias que eu me pergunto “Sou o único a esperar pelo improvável?”. Talvez.
Imagine pelo impossível.

terça-feira, 1 de julho de 2008

Devaneios

O barulho das chaves me avisam de você, e aquele susto bom vem me visitar com um sorriso. Seus passos, sua sombra perto da porta. Vem! Pula na minha cama! Amanhã é segunda-feira. Amanhã poderia nunca chegar. E quando chega, te carrega para longe de mim.
Depois, se por acaso garoar, vou vestir o cachecol que você esqueceu na minha casa, só para te ter de cheirinho enrolado no pescoço, esquentando as cordas vocais para aquele alô caloroso, a gente combina de durante a semana tomar frappé feito criança, esnobar as pessoas da rua e queimar dezenas de cigarros. Queria que seu cheiro nunca saísse de perto do meu nariz. Que morressem as noites que eu passaria no singular, que diluíssem todas manhãs que eu acordaria ao lado de travesseiros e que explodissem as tardes que eu ficaria de amigo da televisão.
Aí, você vem me buscar de carro roubado - ou comprado com a sorte de cartas na mão. Buzina e toca a campainha, faz tocar os sinos e as trompetas... você simplesmente me beija.
Para apagar o fim, a gente se promete não olhar mais para os relógios desse mundo - pior invenção - e assim, param-se os minutos. De portas fechadas, a gente dorme. Por favor, destruam os despertadores.
Acho que você deveria saber que ninguém mais aguentaria meus acessos de mal humor e os dias em que estou difícil. Ninguém suportaria por tanto tempo meu perfume enjoativo e esse meu romantismo sufocante. Não me vem a cabeça alguém que pudesse aturar meu orgulhozinho de merda e os sumissos repentinos. Os planos manchados por pessimismo. Enfim, essa inconstância toda que só você resolve.

domingo, 29 de junho de 2008




and i would like some sugar in my coffee, i would like a little dream and i'd prefer another smoke before the morning or anything else in between...

Para desistir

Sinceramente eu não sei o que pode ser feito. Sei que a muito tempo, algo emaranhado dentro de mim foi desfeito, por despeito seu. Livrou-me tão perfeitamente de um amor que começou torto e continuou crescendo assim, fim. Mas e aí? Preciso de garantias, precisava disso. Eu tenho, e pretendo continuar com elas, como um amuleto ou quem dirá uma bússola. E elas dizem para eu ficar aqui, exatamente aqui. Então meus olhos, meu corpo, minha cabeça pedem cama, descanso da distância.
Olha, eu não alcanço aonde vão meus sonhos. Quisera eu aprender a estar em dois lugares ao mesmo tempo. Ah, mas talvez se eu tivesse uma escada, escolheria a escala da sua cidade e escalaria seu coração. Sabe que eu odeio ter as mãos atadas para te provar as coisas enfeitadas que vivo dizendo? Isso quando justamente estou sendo tão eu. Mesmo sem esperanças - ou assustadoramente cheio delas - continuo esperando.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Soneto de separação.

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto.

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama.

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente.

(Vinícius de Morais)

Dialética.

É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo pra ser feliz

Mas acontece que eu sou triste...

(Morais, Vinicius de. In: Obra Poética. Rio de Janeiro. Aguilar, 1968, p. 587)

Sorte ou revés?

Atravessei a rua e passei na frente dos carros, foram os faróis que deram cores às coisas que enxerguei na minha frente. Pulei de um prédio só para balançar os cabelos no vento. Troquei alguns meses de vida por sensações. Fiz amigos de problemas. Gosto mais das coisas que só acontecem quando não estou preso dentro de casa. Protegido ninguém se apaixona pelo perigo. Acontece que de repente eu passei a perceber apenas a parte mais interessante das pessoas. E não importa se por acaso a porta entre-aberta me contou o que algumas pessoas pensam sobre mim. Azar de quem não entende.

VERGONHOSO!

Que vergonha, a maldita torcida para que ela tivesse a mesma sensação de falta que ele. Seu corpo pedia mais um pouco de velocidade artificial. Procurava nos assuntos proibidos uma maneira de construir sua armadilha. Eram com cutucões e alfinetadas de indiretas que pretendia pendê-la para a tentação. Ele não havia se cansado, muito menos sentido o perigo soprar sua nuca, ainda era apenas um calafrio usual de dias gelados. Mais um cigarro, pensou, acendendo mais um cigarro teria tempo suficiente para atravessar o espaço que separava os pensamentos dele para os dela. Ela tinha que ganhar no silêncio a cura de um mal psicológico, antes que o psicológico se tornasse físico. Essas idéias que ele carrega são os inimigos. Esqueça-as, que vergonha!

quinta-feira, 19 de junho de 2008

falta pouco,

pra que eu derrame a primeira lágrima por você ter terminado.

mas vai ser a primeira e a última.

i'm pressing seven...


terça-feira, 17 de junho de 2008

Ficou em mim a imagem daquela silhueta a luz da praça nova. Ficou em mim a música desgarrada da garganta cansada de tanto cigarro que saiu desacompanhada do violão, e ninguém se importou. Vamos sair só para deixar a porta aberta, vamos sair só para não estar em casa quando o telefone tocar. Porque minhas razões diminuiram tanto de importância, mas eu só queria estar alí, e estar na memória daquele dia algum tempo depois. Acho que sou egoísta.
Hoje tomei um puta não na cara, daqueles ardidos mesmo, feito um tapa estalado. Ficou marcado na minha bochecha um vergão das três letras em alto relevo. Ainda está doendo.
E VAI TOMAR NO MEIO DO CU, PORRA!
Cada expectativa que eu arrancava de mais uma só servia para compensar as expectativas que você arrancou de mim. E de tanto esperar por algo que eu nunca me conformei, de um jeito louco eu vi meus sonhos ressucitarem, como a surpresa de ver um morto se levantar do caixão. A noite já estava na metade quando li uma verdade que parecia se fantasiar de mentira, li a minha alegria voltar. Sorri pro espelho do armário, testei as molas do colchão, gritei sem som e mordi o travesseiro tentando conter a felicidade, mas eu queria mastigá-la, engolí-la e devorar tudo o que de ausente me deixou vazio por tanto tempo. Ah! Só que a vida é irônia, tem um sorriso tão sarcástico e se veste de palhaço para nos entreter até mesmo com o fim do nosso próprio amor. Porque dois dias que passaram, quarenta e oito horas, um par de voltas da Terra nela mesma virou o meu mundo todo do avesso ou de ponta cabeça, invertendo os nossos papéis e adormecendo aos poucos o que se manteve tão desperto aqui dentro. Fiquei semanas brincando de bumerangue com as coisas que eu sentia, e algum poder seu, aliado ao vento sempre te trazia de volta pra mim. Mas de tanto jogar a céu aberto, alguém viu, passou por nós, no meio da nossa distância e pegou tudo o que eu sentia para si, no ar, em pleno vôo. Então me assustei e ainda me assusto porque o que eu senti por você não quer voltar. Eu perdi o que senti por você e eu sinto muito por isso. Confesso que deixei a porta destrancada para que tudo fugisse, confesso que fingi não ver tudo correr de mim. Não fui atrás. Em todo o caso, eu coloquei fogo em todos os planos que rabisquei no meu cérebro. Rasguei a nossa cama, as nossas despesas no supermercado, a pizza com duas cocas ao chão da sala do nosso apartamento. Apaguei nosso futuro verde e rosa. Depois ainda desenterrei de debaixo dos meus pés todo o sofrimento abarrotado no fundo da onde eu escondo o que quero esquecer, nunca te coloquei lá dentro e sei que mesmo se os nossos narizes tivessem olhos não conseguiriam ver logo embaixo deles que não somos da mesma espécie, que nossas mãos não se encaixam e que nossos pés jamais se encontrariam a noite. E esse mundinho dentro do meu quarto que você me ofereceu ficou tão menor e menos interessante depois que eu deixei a janela aberta. Com essa brisa de coragem que tomei no rosto, senti minhas pernas capazes de alcançar qualquer pessoa, em qualquer lugar.
Você não passa de planos. E se eles não derem certo? Você ainda só não te decepcionou porque não se cobra o mínimo. Enquanto anda arrastando os pés como se eles pesassem os seus fracassos, tropeçando em tudo o que há de podre no mundo, ainda tem gente esperando que você os surpreenda. Ainda tem gente que insiste em encontrar em você alguma pontinha de prestígio, da onde possam tirar algum orgulho e mais tarde um sorriso. Mas você só desmonta os outros.
Que bobagem minha escrever sem tema algum! E escutar as velhas músicas então? Uma bobagem! Deixar de dormir cedo para desafiar o sono é uma bobagem. Uma puta de uma bobagem é ligar para cor de caneta e caligrafia. Discar números para dizer nada, também. Querer sozinho é a pior das bobagens e tentar colar o passado no futuro é a maior bobagem de todas. Recortar lembranças para esquecer é bobagear a bobagem, porque assim, você só destaca mais. Brigar por ciúmes é parente da bobagem. Bobagem mesmo é gastar cérebro pensando em alguém. Escrever esse texto é uma bobagem. Vou dormir então. Pra quê? Ué, para acordar amanhã! Acordar amanhã? Bobagem!
Tá, eu não me orgulho de como levo algumas coisas, nem de muitas atitudes que eu tenho tomado. Por outro lado, não ligo também. Estou anseando por dia sete e a volta da minha rotina nova. Sinto falta dos poucos amigos e bons, aqueles que cabem nos cinco dedos de uma das minhas mãos, mas que fazem meu peito e corpo transbordarem de tanta saudade. Estou querendo tanta coisa, mas minha ambição é pouca, acredite. E se você não acredita, eu quero mais é que se foda!
Entra pela boca formingando, e se espalha por todo o corpo. Meus pés ficam gelados como quando descalços à beira das águas do mar. Sinto tanto que posso ver meu sangue esvaindo junto com a fumaça. A mão direita que segura toda a sensação e o cheiro bom que todo mundo odeia. Na boca só fica o gosto amargo das cinzas, e a garganta entala com palavras escuras que eu nunca deixei escapar, elas insistem em dormir no meu pulmão.

De mentirosa basta a nossa própria cabeça que nos faz imaginar e nos iludir. O que eu tive vontade declamei bem alto mesmo, porém minhas vontades nunca foram promessas. E quando se tratava de mim, confesso o egoísmo. Posso dizer que ganhei minha solidão, comprei algum silêncio e vendi qualquer sentimento. Hoje eu acordei meu e de mais ninguém.
Eu poderia fazer uma analogia sobre a velocidade do trem e o rítmo das minhas pernas. Eu poderia falar do que estou sentindo me apropriando de uma ou duas metáforas, poderia até falar de você a lá Machado de Assis ou de qualquer outra maneira menos mórbida que não me comprometa. Mas hoje eu optei pelo silêncio já que não tem mais nada para consentir.
Suas vozes não irão mais me guiar,
Reconstruirei aquilo que nunca quis me dar,
Irei crescer e te enfrentar,
Minha determinação acaba de ressucitar,
E você não irá mais me controlar.

Hugo Nogueira

segunda-feira, 16 de junho de 2008

invincible.


Não sei se vem de mim... Tá, vem de mim. Vem de mim toda a dúvida e a vontade de que alguma coisa venha dos céus e caia em cima de nossas cabeças, só para estragar, só para separar. Eu não posso me ver feliz, que logo quero arruinar tudo. Na verdade, só estou esperando alguma coisa para dar errado. É como o vidro, bonito, limpo, refletindo o meu sorriso e uma pedra na mão. E tão doentio faz-se o som dele espatifando ressoar tão bem nos meus ouvidos. Os finais de semana chegam e passam como um porta-retrato sem foto, sem a sua foto. Fica tão mais bonito vazio. Já nem sinto mais a sua falta. O inverno congelou meu coração, então, até o próximo verão.

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i'm pressing seven.

sábado, 14 de junho de 2008

Sinto saudade da voz do grafite arranhando o papel. Nesses dias frios em que a chuva faz visita, vem junto a vontade de escrever. Mas receio ter perdido a prática. Eu estou mudando e o que eu escrevo já não me satisfaz e sempre que me volto para a ficção ela acaba ficando grande demais. Tenho visto tantas coisas. Esses dias mesmo dei de cara com um monstro, e já vai fazer um mês que eu durmo ao lado de dois sentimentos diferentes. Se ao menos eles pertencessem a mesma pessoa. Não tenho coragem de escolher, talvez eu nem precise, e talvez eu nem queira. A questão é que tem vezes que um abafa o outro.

À sua maneira,

Parei de tentar te advinhar. Já ficou cansativo decifrar seus braços cruzados, o silêncio acumulado pelos cantos. A vibração da porta que você bateu foi o pior dos socos que eu já tomei. Me tranquei no quarto com as luzes apagadas, e o cheiro forte da saudade quase me sufocou. Você e essa sua péssima mania de me deixar sempre o mais perto do chão. Somos tão diferentes quanto o oposto do oposto. Temos os mesmos medos e não venha você me dizer que a gente querer a mesma coisa é coincidência. Meu receio é de que a gente não termine, mas passe da validade.

Empoeirado

Todos os dias eu pintava meu sorriso de amarelo. O cigarro que eu acendia a cada manhã se agarrava aos meus dentes. Eu despertava com uma dor de cabeça chata e incontrolável, era o ciúme me alfinetando. Ela desenhava maluquices para os meus olhos e eu coloria com ódio.Você foi meu ensaio. Foi ter o céu e não ter nada. Tentando ignorar o seu melhor, encontrei a parte mais podre de mim. E já que o meu melhor sempre quis te acompanhar, deixei que fosse.Era noite quando senti todos os ossos se quebrarem, furando alguma ponta da minha cabeça. Logo depois de eu ter colocado todo o seu peso dentro de uma caixa pequena. Aliviei meus ombros e cobri a poeira acumulada em cima do guarda-roupa. Com o tempo, você se cobriria de pó também; com o tempo, você se esconderia no passado, e ela te mancharia com o esquecimento. Aprendi a andar mesmo sem equilíbrio, seguindo sua linha reta, rabiscada de giz no asfalto. Você riscou e os meus pés a apagaram. Agora não lembro o caminho de volta para os seus braços, mas acredite, não estou perdido.

Vem

Ainda espero por suas tentativas. Eu faria de um tudo para alcançar sua perfeição. Mas suas mentiras são doces, brancas como a neve, e escorrem pelo bueiro depois que o sol as derrete. O sutil da sua aparição fez de mim um quadro, obra sua, pendurada na parede para uma doentia admiração. Não, eu não saberia explicar o que você não sabe explicar. Porém, escuto o que você não pode dizer. Seus pensamentos ganham volume quando seus atos decidem fazer papel de microfone. Então chega mais pra perto e me abrace por trás. Prometo deixar meu pescoço livre para você assinar com os dentes. Mas se você ousar mudar... não ouse jogar para trás dos ombros nossas manhãs cantando por bom dia! Deixa eu te mostrar todas as coisas que podemos fazer com nossas roupas jogadas aos pés da cama. Deixa eu te mostrar o cheiro do meu mundo, a cor que eu quero ver. Vem que suas aspirações já enchem meu pulmão, e os seus sonhos e os meus objetivos já são como irmãos.

Nós.

Escorreguei nas letras do seu nome, afundei nas idéias mais terríveis. O fim do que me incomoda pode te libertar para algo ainda pior. Mudar sempre nos infla com muito gás, mas tem sempre aquele risco de explosão. Então preferi me sentar numa cadeira bem grande e confortável para esperar você perder a paciência e um pouco da segurança. A década pode até trocar, só que eu sei que o seu lugar é bem no meio do caminho. Com meus dedos apontados para uma mesma pessoa, as mãos fazem questão de segurar forte. Mas meus braços anseiam por abraçar o mundo e todas as suas possibilidades. Não sei escolher, e nunca me ensinaram a controlar a ambição. Por isso eu vou querendo sempre mais, de mim e de você, até que sejamos a mesma palavra: nós.
Ainda me pergunto como desviei sua atenção toda para mim. Não era comigo, e sim com seu desvio para todo mundo. Uma hora perco o que consegui tão fácil. Preciso aprender a te entreter, ganhar tempo para segurar você. Me falta força para te carregar por algum tempo, e sei também que te falta vontade para deixar de usar seus próprios pés. Planejo a vida de todos e reservo um espaço para mim, mas é impossível planejar você. Acho que sou espaçoso demais e parece que vou estar sempre atrasado. Ah, pontualidade nunca foi o meu forte mesmo.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Advertência

Escrevi uma carta com folha pautada e caneta azul; você não vai ler. Pode deixar que quando der na telha amasso o seu papel na minha vida. Das fotos reveladas já te rasguei, do meu estômago te vomitei. Estou com preguiça de te conquistar, custa surpresas demais e criatividade. Não percebe que está tudo tão atrasado e previsível? Já li dezenas de vezes sinopses feito você. Seus passos já me alcançaram viciados, seus planos foram decorados. Vê se emposta a sua voz quando vier me dizer que não dá, senão fica difícil de te escutar. Só pra te avisar, teimosia não tem cura e eu sou muito doente.

domingo, 1 de junho de 2008

Tempo Perdido

Os olhos cansados não dão trégua, e o cansaço faz que rola na cama, te cutuca, te chama para acordar, acordar sem nem ao menos ter dormido. É o tempo perdido; no escuro de becos intravenosos, em sussurros e suspiros de batimentos cardíacos, nas palavras esperando por não serem ditas.
A gente se cala na poeira, se mantém em desuso. Mas se apaixona por planos jogados nas calçadas, pendendo entre as valetas da rua. Que infantilidade querer chamar a atenção de nós mesmos para estímulos de pseudo-vida e falsa liberdade. Pois falta sono e sonhos palpáveis, litros de cafeína e quilos de nicotina que poderiam se tornar a cura da ansiedade.
Mas deixa que eu me resolvo na distração da tentativa de descrever o gosto do céu onde você me tem levado durante todos esses dias, e gastarei a eternidade tentando dizer o que assisto nos seus olhos. Preciso da sua certeza de me ter em seus braços por todos os seus amanhãs.

domingo, 25 de maio de 2008

cansei meus olhos com seu rosto

domingo, 18 de maio de 2008

pitseleh.

uma das melhores viagens!

realejo

será que a noite virá num vilarejo?
vejo a ponte que levará o que desejo
admiro o que há de lindo,
e o que há de ser: você.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Quando a televisão começa a falar sozinha, vem você me cutucar o ombro para iniciarmos uma revolução, mas só quer mudar o meu mundo, enquanto eu te vejo intacta dentro do porta-retrato, com a sua vida formada-perfeita sem espaço para mim. Assim de propósito mesmo, desacredito em tudo o que você já me prometeu. E aquela maquete que você montou da nossa vida? Esqueci lá fora e choveu em cima. Não sobrou nada. Também, não era pra menos. Você queria o quê? Era frágil demais, como o seu desejo por mim. De qualquer forma, nem serviria na prática, a gente sabe disso. Na teoria, na física de livros de colegial é tudo proporcional, tudo perfeito. Eu quero ver se você iria conseguir controlar os seus acessos de mal humor se meus olhos estivessem a dois centímetros de distância dos seus. Você me diria as mesmas coisas sem fios e músicas entre a gente? Eu queria ver se nada girasse em torno dessas fotografias. Acho que você se assustaria ao ver que meu rosto muda de expressão enquanto converso usando cordas vocais e gestos manuais. Você sentiria falta da trilha sonora, dos efeitos de luz e de programas de restauração de imagem. O medo maior nem é ver sua cara de susto, mas é pensar no disperdício que ficou transformar esse meu presente em vias e ruas para te cruzar no futuro. É de quem sabe deitar num travesseiro alugado e bater as mãos na testa com arrependimento doloroso. Mas pior ainda seria o remorso. Nessas poucas páginas de vocabulário que eu tenho anexadas aqui na minha cabeça, escrito em laranja gritante ficam piscando duas palavras idiotas e sem sentindo: "e se... ?".
Quando a televisão começa a falar sozinha, vem você me cutucar o ombro para iniciarmos uma revolução, mas só quer mudar o meu mundo, enquanto eu te vejo intacta dentro do porta-retrato, com a sua vida formada-perfeita sem espaço para mim. Assim de propósito mesmo, desacredito em tudo o que você já me prometeu. E aquela maquete que você montou da nossa vida? Esqueci lá fora e choveu em cima. Não sobrou nada. Também, não era pra menos. Você queria o quê? Era frágil demais, como o seu desejo por mim. De qualquer forma, nem serviria na prática, a gente sabe disso. Na teoria, na física de livros de colegial é tudo proporcional, tudo perfeito. Eu quero ver se você iria conseguir controlar os seus acessos de mal humor se meus olhos estivessem a dois centímetros de distância dos seus. Você me diria as mesmas coisas sem fios e músicas entre a gente? Eu queria ver se nada girasse em torno dessas fotografias. Acho que você se assustaria ao ver que meu rosto muda de expressão enquanto converso usando cordas vocais e gestos manuais. Você sentiria falta da trilha sonora, dos efeitos de luz e de programas de restauração de imagem. O medo maior nem é ver sua cara de susto, mas é pensar no disperdício que ficou transformar esse meu presente em vias e ruas para te cruzar no futuro. É de quem sabe deitar num travesseiro alugado e bater as mãos na testa com arrependimento doloroso. Mas pior ainda seria o remorso. Nessas poucas páginas de vocabulário que eu tenho anexadas aqui na minha cabeça, escrito em laranja gritante ficam piscando duas palavras idiotas e sem sentindo: "e se... ?".
O vento levou os pingos de resto de chuva para longe daqui, te contou pro acaso, e por culpa dele, se soltou todo o amor que eu amarrei no travesseiro. Enquanto seu vício te perdia com os novos amigos do centro da cidade, eu te esperei no toque do telefone. Precisei fazer de você a minha garantia. Então, adotei contigo aquele amigo que consertou tão superficialmente toda a dor que ficou distante. Tolice, se não existe dor no padrão dos nossos olhos. Porém, só esqueço quando você me fala dos seus sabores favoritos e das suas cores preferidas. Aí, peço para que venha o inverno só por fora. Julho não verá nossos adeus; porque dois dias de cento e vinte reais vão nos despertar para um sono de lençol, e uma sacada com cheiro de areia úmida. Ficaremos juntos até que em volta dos seus braços finos fique todo o resto do que não se vale a pena abraçar; nada tem seu perfume. Cansei de esperar por algo de errado, você me funciona tão diferente. E se a noite acaba, amanhã tem pôr-do-sol. Traga sua liberdade, e me prenda nos seus sonhos planejados sobre o asfalto. Dessa vez, grita bem alto; é que eu me apaixonei pela sua voz.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Você já não consegue mais me machucar. E se você pudesse apenas ver o quanto me fez crescer, o jeito como meus olhos nunca mais serão seus. Então eu te daria razões, te daria uma vida inteira para desistir do que você já desistiu uma vez. Te revelaria uma janela e suas cortinas, uma rua e suas idas e vindas. Te daria bom dia e até logo. Te contaria o que eu ouvi na sua ausência, te daria o número das batidas que meu coração bateu sem ao menos lembrar que você existia. Te cantaria todas as músicas que eu conheci desde que você se foi. Mas seria muito se eu te pedisse para que não voltasse?
Eu queria prender um sorriso nos meus lábios, me agarrar ao seu braço com força, apertar qualquer sonho por entre meus dedos. Mas minha mão já não tem forças - ou nunca teve - para segurar alguém, você. Minha palma é escorregadia e os meus pés só aprederam a fugir. Meu corpo não se acostuma, minha mente corre para qualquer outro lugar. Vou mudando meu coração, sempre olhando em volta. Nunca satisfeito, nunca saciado. Todos esses dias vão embora, os desejos dormem, e a coragem desaparece. Eu tenho a cabeça com visão ampla agora, mas ainda preciso de mais tempo. E o tempo? Ah, o tempo nunca foi o meu forte.
Sei que uso as mesmas palavras, sei que insisto em falar de distância. Mas garanto que é direcionado a novos rostos. Aqui escrevo de dois mil e oito, de um número par, correndo por não estar sozinho. Quando par é dois, quando par somos eu e você, a manhã, a tarde, e a noite não são tão longas quanto as madrugadas que fogem tanto de mim e do meu controle do tempo. Posso nem te amar ou te querer eternamente, mas as declarações já não são a motivação de tudo. O ar que eu respiro pode me acordar e o som da chuva me dormir como criança. E eu posso sorrir com qualquer palavra sua ou simplesmente bocejar bem grande, nem dependeria de você. Eu falo de humor, de ter a sorte de acordar bem. Da sorte que seria acordar do seu lado.
Dessa vergonha que sentou do nosso lado, eu nem lembrava mais. Vem, me resolve essa vontade que eu tenho de te descobrir, esse gostar sem ter, sem sofrer, nos braços da infância. E cada olhar bobo, fim de assunto tímido, comentário que chega de alguém que conta, vira grande coisa, fica repetindo na cabeça. Então eu quero ouvir com euforia, de novo e de novo o mais mínimo detalhe que te escapou de mim. A gente vem vindo devagarzinho, virando casal sem me deixar tonto. De apontar para a nuvem te vi no céu, de um azul bem azul como a água da piscina dos seus olhos. Nesses eu mergulho sem bóia nem nada. E que seja bem fundo, estou precisando me afogar.

do contra.

Eu não quero ficar egoísta. Sei que só você entende o que isso significa. Mas é difícil quando o alcool, a nicotina e o frio gritam com a gente, pedindo pela mesma coisa. Damos um jeito de disfarçar que não sabemos do eles dizem. É como ignorar o sangue que passa pelas nossas veias. E nos meus sonhos, nós estamos mortos. Não faz diferença porque é apenas um sonho e amanhã eu acordo. A guerra agora é com o tempo, temos que apressá-lo sem correr perigo. Segurança só existe mesmo dentro de casa. Mas eu prefiro dividir a calçada enquanto ando do seu lado.

domingo, 13 de abril de 2008

quando talvez precisar de mim,
cê sabe que a casa é sempre sua, venha sim

olhos nos olhos,
quero ver o que você diz,
quero ver como suporta me ver tão feliz...

segunda-feira, 31 de março de 2008

outra! =)

"menino, o que você tá fazendo comigo? explica??
me diz de onde surgiu tanta fofura, educação, carisma e carinho que se transformaram tão rápido em amor? me explica??

poxa, quem dera a gente não ter desperdiçado o ano passado, né? assim eu poderia dizer que, ao invés de meses, te tenho há um aninho e uns meses! mas não importa... é pouco tempo comparado ao que temos pela frente!

é inexplicável o que você faz comigo! seja acordando cedo pra me levar na faculdade, me buscando no estágio, comprando até jaleco novinho e mandando bordar o meu nome! seja quando você me chama pra assistir aqueles filmes chatinhos que ficam interessantes embaixo do edredon, naquela friaca gostosa! ou mesmo quando você me chama pra ir pescar com você a noite haha você é muito fofo, cara! quando me grita "moooooooooonga, vem catar tatuíii pra usar como iscaaa!" ou quando puxa a linha e vibra gritando que pescou algo! hahaha!!

sabe, eu não sei o que fazer pra te desejar os parabéns, porque não sei agradecer pelo que você me faz! tudo, os detalhes que você capta! coisas simples que você percebe com uma facilidade assustadora, o seu jeitinho de mexer o cabelo, de fechar o pacotinho de bala garoto que nós somos viciados! como você abre a porta, como você me respeita, me surpreende, me faz feliz!

ei.
te amo, sabia?"

quarta-feira, 12 de março de 2008

cartinha.

"oi! sei que você vai ler isso aqui durante a aula, e já vou avisando que isso é muito feio, vira pro quadro e estuda, menino! haha!
sabe, eu não achei que você fosse ser tão importante pra mim! era só mais um garoto que eu gostava de ficar olhando, mesmo que do outro lado da sala! era só o único educado que pedia passagem e agradecia, e só!
as coisas mudam, né? quem diria que no meio das férias a gente escolheria o mesmo dia pra pegar documentação de escola... e que íamos conversar?! que você me daria carona até em casa e eu te chamaria pra almoçar, e logo depois você iria pra casa e a vontade de te ver ia surgir de maneira tão rápida? mas aconteceu, né?!
a partir daquele dia as coisas mudaram muito, né? as mensagens no celular, as conversas, idas a praia pra assistir o pôr-do-sol.. surgiu do nada!
bê, queria que você soubesse sua importância na minha vida! gosto tanto de você! será que um dia você vai saber quanto?
amo seus abraços, seus beijos na bochecha, amo assistir aula na sua faculdade(mesmo que não possa!), amo os cafunés que você faz, amo as massagens! adoro você tocando violão, adoro suas comidas, adoro te ver cantando na rua! acho lindo ver sua dedicação estudando, adoro quando você tira um tempinho pra me levar na faculdade!
você é meu tesourinho, né? hahaha! menininho mais lindo, não tem!
fica sempre comigo, fica??"




estou feliz..
pra caralho!

domingo, 24 de fevereiro de 2008

puta que pariu!

se eu soubesse que seria tão bom e fácil, já teria feito há muito tempo!

feliz pra caralho!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

é, arrumar as malas é realmente um processo muito difícil...

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

if the bright lights don't recieve you, you should turn yourself around and come home.

divagações.

com a falta de coisas com as quais poderia me ocupar, às vezes fico pensando sobre o fato de você simplesmente não ligar, não dar a mínima... mas hoje foi diferente. cheguei ao ponto de pensar, "quem é você?". sim, quem?
o que levaria uma pessoa a tentar entrar na minha vida, e permanecer nela, mesmo quando eu mostrava não ter interesse algum em saber o que você estava fazendo ao vir falar comigo quase todos os dias... até o dia que eu comecei a me importar, e inverti os papéis, indo atrás de você, e pra quê? pra você fugir! desaparecer com a mesma rapidez que te trouxe em primeiro lugar!
meses depois você decide re-aparecer, tentando demonstrar frieza, manter uma distância entre a gente. de que adiantou construir essa parede, se você mesma decidiu destruí-la, ficando ao meu lado? fez com que eu me perdesse com você, dedicasse meses a você, me prometeu tudo que era possível, me fez ouvir músicas que agora só me incomodam! incomodam profundamente pois me lembram quando você as tocou pra mim, porque tinham significado e esse significado tinha sido jurado de nunca ser alterado!
você não passa de uma... eu nem sei mais. não sei quem é você. não entendo o que te traz a me amar e me abandonar de novo, e pra quê? pra dizer que me encontra daqui a 15 anos? eu espero te encontrar sim, mas não espere que eu ainda seja o mesmo de 15 dias atrás, pois vai se decepcionar. ah, quer dizer? tenha certeza que ainda serei o mesmo! quem sabe, dessa vez, as coisas mudem, minha vida, que mais te parece um jogo, inverta papéis com a sua, e você será a pessoa que ainda pensa na outra, porque, claramente, você me apagou da sua vida e de quebra ainda destruiu a minha!
Adoro rever seus gestos sem som, como um vídeo em mim. Me prometi comer pouco, mas eu sinto tanta fome de você. Quando o telefone que toca, as aulas que não acabam e a minha mãe que grita me irritam terrivelmente, eu daria minhas roupas por uma discussão nossa. Chego até a desenhar a sua cara de brava. As cadeiras perdem o conforto depois de um tempo que se fica sentado nelas, fico imaginando se seus braços perderiam também. Duvido.
Tenho esperado tão menos desses dias, mas parece que as horas só fazem engordar. Vontade que eu tenho é de ficar o tempo todo te pertubando, feito irmão mais velho, só para te chamar a atenção. Você me faz dar risada sozinho, cumprimentar estranhos na rua e cantar para o nada. Vem?

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

putaquepariu!

caralho!
puta que pariu!
só xingando mesmo! que felicidade escrota! nunca saí de um hospital tão feliz quanto agora há pouco! porra! só um anti-inflamatório! quero mais o quê?? quero mais nada! felicíssimo!
telefone toca.

atendo.

"oi, tá pronto?"
"oi, tô não. falta muito."
"me ligaram de lá, falando pra chegar 15 minutos antes."
"precisamos estar lá 1 e meia, então"
"peço o taxi pra que horas?"
"1 e 25"
"mas 1 e 25?"
"qual o problema?"
"é um horário engraçado."
"1 e 20 então."
"estarei aí"
"que bom. um beijo"
"beijo, até daqui a pouco."



gosto de cinco minutos a mais. bastante, até.
mesmo que sejam 300 segundos que antecedem um exame médico, gosto bastante. =)

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

maybe there's a god above
but all i've ever learned from love was how to shoot somebody who out-drew ya
and it's not a cry that you hear at night
it's not somebody who's seen the light
it's a cold and it's a broken hallelujah...



ah se eu soubesse expressar a raiva que tenho por você ter fodido com tudo...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

hm

hm. hm. ah. hmmmm.

é. basicamente todos os sons que tenho feito. esses e as músicas que canto.
tantas coisas pra fazer, tantas pessoas pra conhecer e lugares pra ver. tantos galões de cerveja e garrafas de scotch pra beber... por que, então, me falta tanta motivação?

as vezes me pergunto se fui esquecido. as vezes penso que não. em certos momentos, sinto que você tá pensando em mim. não gosto de sentir isso, me assusta.

os compromissos aumentam. as contas chegam para serem pagas. a movimentação bancária permanece intacta...

eu tenho tudo que preciso.

"friends, check. money, check. i'm well-slept, check. opposite sex, check. guitar, check. microphone, check. messages are waiting on me when i come home. and i don't know what it is at all."


vai entender...

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